Veterinária explica que afagos forçados, banhos frequentes e longos períodos de solidão geram estresse e problemas de comportamento
Demonstrar amor pelo cachorro é natural, mas o excesso de carinho imposto pode causar desconforto. Segundo a médica veterinária Ana Luísa Lopes, especializada em comportamento canino, muitos tutores não percebem sinais sutis de que o animal não quer contato, como bocejos, lambidas nos lábios, desvio do olhar ou afastamento.
Ignorar esses sinais e insistir em abraços e colo pode levar o cão a rosnar ou até morder, reação que muitas vezes resulta em punição injusta ao animal. A orientação é permitir que o cachorro escolha quando e como quer interação, respeitando seus limites.
Os banhos também exigem atenção. Embora sejam vistos como cuidado essencial, podem causar alto estresse, especialmente quando feitos com frequência excessiva ou sem adaptação. A veterinária explica que nem todas as raças precisam de banhos regulares. Em cães de pelo curto, por exemplo, a recomendação pode ser de apenas uma vez por ano, salvo situações de muita sujeira.
Outro ponto importante é o tempo que o animal passa sozinho. No Brasil, é comum cães ficarem até 12 horas sem companhia, o que pode gerar ansiedade, destruição de objetos e problemas de comportamento. A recomendação é contar com passeadores ou pet sitters para garantir atividades e interação ao longo do dia.
Além disso, permitir que o cachorro exerça comportamentos naturais, como roer ou cavar, de forma direcionada, contribui para seu equilíbrio emocional. Segundo a especialista, reprimir essas atitudes tende a gerar ainda mais estresse.
Cuidar do bem-estar do cão envolve mais do que carinho e higiene. Exige respeito, estímulos adequados e compreensão das necessidades naturais de cada animal.
Fonte: bbc.com







