O recuo do prefeito de Itu em aumento do “próprio salário” expõe a desconexão da classe política com a realidade das ruas e a urgência nos cuidados com a Saúde, Zeladoria e infraestrutura do Município
Em um cenário onde a economia brasileira exige austeridade e o cidadão comum luta para equilibrar o orçamento doméstico, a classe política parece habitar uma realidade paralela, protegida por brechas legais que permitem manobras moralmente questionáveis.
O caso mais recente de autoconcessão de privilégios vem de Itu (SP), onde o prefeito Herculano Passos (Republicanos) tentou dobrar o próprio salário, em um movimento que beira o escárnio com o dinheiro público.
O aumento, que elevaria o subsídio do prefeito para R$ 30.063,50, não é apenas um número em uma folha de pagamento; é um sintoma de uma gestão que inverte prioridades. Enquanto os secretários também se preparavam para um reajuste que levaria seus vencimentos para mais de R$ 15.000,00, as periferias das cidades sofrem com a zeladoria precária e buracos que castigam a infraestrutura urbana.
A legalidade de um ato nem sempre caminha ao lado da sua moralidade. Aumentar o próprio salário para valores acima da realidade que o país, estados, regiões e municípios podem pagar, enquanto a saúde pública padece, a zeladoria está próxima do “zero” e a infraestrutura urbano um caos, é um tapa na face do contribuinte.
A suspensão do aumento, anunciada onte, quarta-feira (28/01), não nasceu de uma súbita consciência ética da gestão, mas sim da pressão popular que incendiou as redes sociais e as conversas do dia a dia. O recuo estratégico e a promessa de devolução dos valores recebidos a maior no último mês revelam que, para muitos políticos, o “erro” só existe quando ele é descoberto e combatido pelo povo.
O recurso que financiaria essa “generosidade” com o alto escalão é o mesmo que falta nos postos de saúde. Cada real desviado para inflar o holerite de um agente político é um real a menos para medicamentos, exames e manutenção de hospitais que operam no limite. Em cidades que ainda lutam para oferecer um serviço de saúde digno, a tentativa de um aumento dessa magnitude demonstra uma cegueira administrativa alarmante.
Confira abaixo o valor que cada agente político receberia com o aumento que causaram a indignação da população ituana:
- Prefeito: R$ 30.063,50;
- Vice-prefeito: R$ 10.038,10;
- Secretários: R$ 15.038,10.
O episódio de Itu serve como um alerta para todo o país. A “zeladoria” que a política realmente precisa não é apenas a das ruas, mas a da moralidade administrativa.
O recuo do Prefeitu de Itu, Herculano Passos (do Partido Republicanos), prova que a indignação digital e a cobrança direta ainda são as ferramentas mais eficazes contra a drenagem imoral do erário. Resta saber até quando o contribuinte terá que atuar como o único freio ético de quem deveria, por dever de ofício, dar o exemplo.
Fonte: G1 Globo







