Vereadores de Ribeirão Preto (SP) rejeitarem investigação contra André Rodini, que fez comentário preconceituoso sobre a população pobre em festa da cidade, parlamentares reafirmam o corporativismo e impunidade de seus membros.
A primeira sessão ordinária de 2026 da Câmara Municipal de Ribeirão Preto não foi marcada por projetos de melhoria para a cidade, mas por um vergonhoso espetáculo de blindagem política. Por uma maioria esmagadora de 16 votos a 3, os vereadores decidiram, nesta segunda-feira (2), que zombar da população carente não é motivo suficiente para sequer abrir uma investigação por quebra de decoro parlamentar.
O beneficiado pela “operação abafa” foi o vereador André Rodini (Novo). Contra ele, pesava uma denúncia protocolada por seu ex-assessor, Alexandre Meirelles Nogueira, que expôs o lado sombrio do gabinete: o uso da expressão “pobre fazendo pobrice” para descrever cidadãos que buscavam um pedaço de bolo na comemoração dos 125 anos do Mercado Municipal.
A “Brincadeira” que Humilha
O teor da mensagem, enviada em um grupo de WhatsApp durante o alinhamento da agenda oficial, é um retrato fiel da aporofobia — o medo ou rejeição ao pobre. “Vai ter pobre fazendo pobrice lá pegando bolo com balde?”, questionou o parlamentar.
Em sua defesa, Rodini utilizou o velho e desgastado argumento do “foi apenas uma brincadeira em ambiente fechado”. O que o vereador e seus pares parecem esquecer é que o decoro parlamentar não é um terno que se tira ao entrar no WhatsApp. A postura de um representante público deve ser pautada pelo respeito ao cidadão, independentemente da plataforma ou do público presente.
Corporativismo Acima da Ética
A votação de ontem é um tapa na face da periferia de Ribeirão Preto. Ao negarem o envio do caso ao Conselho de Ética, os 16 vereadores que votaram pelo arquivamento enviaram uma mensagem clara: o Legislativo é um clube privado onde o desrespeito ao povo é tolerado e a impunidade é a regra.
A atitude demonstra um forte traço de superioridade e desconexão com a realidade. Enquanto milhares de ribeirão-pretanos lutam diariamente contra a insegurança alimentar, o Legislativo municipal decide que classificar a busca por alimento como “pobrice” é algo aceitável.
Silêncio e Conivência
Ao “passarem pano” para a conduta de Rodini, os parlamentares legitimam o preconceito. A sessão, realizada virtualmente devido a obras na sede da Câmara, serviu de esconderijo perfeito para evitar o olho no olho com o eleitor.
Ribeirão Preto assiste, com indignação, a uma Casa de Leis que prefere proteger seus membros a zelar pela dignidade daqueles que os elegeram. Ontem, no Mercado Municipal, distribuía-se bolo; ontem, na Câmara Municipal, distribuiu-se desdém.
Como ficaram os votos:
- Pelo arquivamento (Impunidade): 16 votos
- Pela investigação (Ética): 3 votos
Fonte: G1 Globo – Ribeirão Preto







