Enquanto o PSD se expande como um “fundo abutre”, a ausência de filtros ideológicos transforma a sigla em um balcão de negócios que abriga de golpistas a defensores da democracia.
A política brasileira assiste, mais uma vez, ao espetáculo do pragmatismo despido de qualquer pudor. Sob o comando de Gilberto Kassab, o PSD (Partido Social Democrático) reafirma sua vocação como uma legenda camaleônica, operando não com base em programas ou ideais, mas na lógica da conveniência e da ocupação de espaços.
A recente investida sobre o PSDB paulista, que resultou na migração em bloco de seis deputados estaduais, é o capítulo mais recente de uma estratégia que o deputado Aécio Neves classificou, com precisão cirúrgica, como a de um “fundo abutre”.
O termo não é gratuito. Assim como investidores que lucram com a derrocada de ativos em crise, Kassab especializou-se em capitalizar sobre a desidratação alheia. O problema, contudo, vai além da ética partidária: reside na total anemia ideológica de uma sigla que aceita tudo para ter todos.
Um mosaico de contradições – ao abrir as portas para qualquer quadro capaz de trazer votos ou tempo de TV, o PSD de Kassab criou um ecossistema bizarro. No mesmo barco, convivem agora:
- Extrema-direita e Centro-direita: flertando com o autoritarismo e o liberalismo clássico simultaneamente.
- Intervencionistas e Liberais: uma colisão direta sobre o papel do Estado na economia.
- Defensores dos Direitos Humanos e Negacionistas: posturas inconciliáveis que revelam o descompromisso com pautas sociais.
- Democratas e Golpistas: a convivência pacífica sob o mesmo teto de quem defende as instituições e de quem as atacou frontalmente.
Essa “gelatina” política permite que o partido esteja sempre no poder. Como bem pontuou Aécio Neves, o PSD é uma legenda para a qual “qualquer governo serve, desde que garanta cargos e oportunidades”. A sigla nunca conheceu o rigor da oposição; prefere o conforto do governismo, seja ele qual for.
Alerta Democrático – o incômodo dos tucanos é compreensível. Após perder governadores como Eduardo Leite (RS) e Raquel Lyra (PE), além de prefeituras estratégicas em SP, o PSDB tenta vender a imagem de que passa por uma “lipoaspiração” para recuperar a coerência.
Entretanto, o crescimento hiperbólico do PSD acende um sinal amarelo para a democracia brasileira. Quando um partido se torna um aglomerado de interesses clientelistas e populistas, o debate programático morre.
Se o objetivo de Kassab é tornar o PSD a maior força política do país em números, ele está conseguindo. Mas o preço é a transformação da política em um mercado de balcão, onde a ideologia é o ativo que mais se desvaloriza.
O eleitor, ao votar no PSD, não sabe se está elegendo um defensor das liberdades individuais ou um entusiasta do intervencionismo estatal. “O Brasil precisa de mais partidos programáticos e de menos legendas pragmáticas.” — “O partido de Kassab não é um projeto de país; é, antes de tudo, um projeto de poder “, palavras do presidente do PSDB Aécio Neves.
Fonte: Folha de S. Paulo – Texto produzido com auxílio de IA







