Especialista da Polícia Civil de São Paulo afirma que muitos pais desconhecem o que filhos fazem nas redes durante a madrugada
Enquanto a maioria dos pais dorme, o ambiente digital segue ativo para crianças e adolescentes. É nesse período que a delegada Lisandrea Salvariego acompanha, por horas, jogos online, salas de conversa e redes sociais usadas por jovens envolvidos em desafios violentos e práticas criminosas.
Integrante do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo, a delegada atua no monitoramento de comportamentos de risco na internet. O grupo foi criado após os ataques a escolas registrados em 2023, quando o país contabilizou 12 ocorrências. Com o avanço das investigações, no entanto, os policiais perceberam que o problema era mais amplo e estruturado do que se imaginava inicialmente.
A partir do mapeamento de autores, vítimas e ambientes digitais, o Noad identificou padrões recorrentes, como a disseminação de discursos de ódio, a formação de hierarquias entre os participantes e a existência de um sistema de recompensas baseado no sofrimento alheio.
Em entrevista à repórter Rute Pina, da BBC News Brasil, Lisandrea Salvariego afirmou que, na maioria dos casos investigados, os pais não têm conhecimento do que os filhos acessam ou com quem interagem nas redes sociais. Segundo ela, a simples retirada do celular durante a noite poderia evitar muitos crimes e situações de violência envolvendo jovens.
Fonte: bbc.com







