Entre comissões bilionárias e uma proposta de compra por R$ 1,00. O banco de André Esteves é acusado de lucrar com a “pedalada” que custará R$ 41 bilhões ao FGC.
O mercado financeiro brasileiro assiste ao desenrolar de um dos seus capítulos mais controversos. No centro da tempestade está a atuação do BTG Pactual na distribuição de títulos do Banco Master. Segundo dados da Bloomberg News, a instituição liderada por André Esteves despejou R$ 6,7 bilhões em papéis do Master no mercado entre 2023 e 2024, mesmo ciente dos problemas de liquidez que rondavam a instituição.
Estratégia da “Asfixia” – fontes de mercado descrevem uma atuação ambígua: enquanto o BTG faturava comissões distribuindo CDBs com rentabilidades de até 180% do CDI, o banco monitorava o colapso iminente. Em dezembro de 2024, após anos de vendas massivas, o BTG interrompeu a oferta, mas passou a emitir alertas para que seus clientes se desfizessem dos papéis.
Essa tática, apelidada nos bastidores de “operação-asfixia”, teria um objetivo secundário: depreciar o Master para facilitar uma aquisição oportunista.
Relatos indicam que Esteves teria oferecido o valor simbólico de R$ 1,00 pelo banco, visando apenas ativos nobres, como a carteira de R$ 7 bilhões em precatórios, enquanto deixava o passivo bilionário para trás.
Socialização das perdas – a conta da crise é astronômica. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) terá que desembolsar R$ 41 bilhões para cobrir 1,6 milhão de investidores lesados pela gestão do Master, que utilizava o fundo como “isca comercial”.
A disparidade gera revolta no setor:
- BTG Pactual: vendeu R$ 6,7 bilhões e lucrou com taxas.
- Bancos tradicionais: arcarão com o grosso da conta do FGC, mesmo sem ter participado da distribuição agressiva.
- Investidores: enfrentam o pânico de um risco que foi omitido pelas plataformas.
Defesa e judicialização – em fevereiro de 2026, André Esteves defendeu a conduta do banco, afirmando que o BTG “exerceu o papel que devia exercer”. No entanto, a 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro analisa uma ação civil pública contra o BTG e outras plataformas. A acusação foca na omissão de riscos e no uso indevido da garantia do FGC para vender produtos de alto risco a investidores de varejo.
O caso deixa um legado amargo para o sistema financeiro nacional, expondo uma estrutura onde o lucro das operações é privatizado pelas corretoras, mas o prejuízo da insolvência é socializado por todo o mercado e, indiretamente, pelo correntista comum.







