Para o parlamentar a Secretaria de Cultura foi “apática” ao não apresentar alternativas viáveis diante de alertas de segurança e tomou uma atitude “simplória” cancelando o último dia de Carnaval – CarnaPorto de 2026.
Em sessão ordinária realizada na noite desta quinta-feira (19), o vereador Alan João (presidente da Câmara Municipal) utilizou a tribuna para fazer duras críticas à atuação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa de Porto Ferreira.
O motivo principal foi o cancelamento do desfile da “apoteose do CarnaPorto 2026”, que segundo ele, poderia ter sido evitado caso a pasta tivesse apresentado alternativas ao prefeito, em vez de simplesmente acatar o veto por questões de segurança sem oferecer contrapartidas culturais.
O discurso do parlamentar acendeu um alerta vermelho sobre o que classificou como uma gestão “apática, covarde e fraca” à frente da cultura no município.
“Mas eu quero colocar uma reflexão ainda maior, porque o que eu senti foi falta de cultura. O que eu senti foi uma secretaria de cultura apática, foi uma secretaria de cultura covarde, fraca”, disparou Alan João.
Um dos pontos mais contundentes da fala do vereador foi a crítica à subserviência da pasta de Cultura em relação à Secretaria de Mobilidade e Segurança. Na visão de Alan, a Cultura se comportou como um mero “puxadinho”, abdicando de seu protagonismo na organização do principal evento festivo do calendário popular.
“O Carnaval é de quem? É da Cultura que organiza ou da Segurança? Claro, são duas secretarias que trabalham em conjunto, isso é óbvio, mas o evento é da Secretaria de Cultura. Posto isso, cabia a ela apresentar ao prefeito uma alternativa de desfile”, argumentou.
O parlamentar reconheceu a gravidade do alerta feito pelo secretário de Segurança, que apontou riscos de fatalidade devido à falta de controle no recinto onde ocorreriam os desfiles, inclusive com relatos da entrada de pessoas armadas. No entanto, para Alan, a função técnica da Segurança foi cumprida. O problema, segundo ele, foi a inércia da Cultura diante do obstáculo.
“A Secretaria de Segurança vem, apresenta um problema grave. O secretário é técnico, ele é formado nisso. Ele cumpriu a sua função. Cabia à Secretaria de Cultura, naquele momento, trazer a solução quanto ao movimento cultural”, enfatizou.
O vereador foi além e sugeriu que a pasta deveria ter apresentado soluções criativas e viáveis para manter a festa, ainda que em formato reduzido.
Alan João deixou claro que a crítica não é dirigida ao prefeito, mas sim à falta de proatividade da equipe da Cultura.
“O prefeito é gestor de mais de 10 pastas. Se você bater na porta do gabinete e levar só o problema sem levar solução, me desculpa. Você precisa apresentar uma alternativa. Tem uma tragédia que pode acontecer e eu cancelo? Não. Eu tenho uma outra proposta aqui”, comparou.
O discurso do presidente da Câmara também tocou em um ponto sensível: o distanciamento da Secretaria de Cultura da sociedade civil e dos agentes culturais locais, como os clubes e blocos carnavalescos.
“Se perdeu a conexão com os clubes também. Uma ligação para cada um dos presidentes, busca uma alternativa. […] A gente falou com a sociedade civil, a gente falou com os blocos? Não. A única ideia que tivemos foi o cancelamento”, lamentou.
A fala do vereador expõe um sentimento de abandono do setor cultural, que já vinha sofrendo com restrições e agora vê uma das festas mais aguardadas do ano ser cancelada não por falta de público ou de artistas, mas por falta de articulação política e competência administrativa.
Veja video da fla do presidente da Cãmara de Porto Ferreira acessando esse link.







