Presidente do PL Valdemar Costa Neto afirma que prioridade é proteger os empresários, enquanto setor produtivo se divide entre resistência e casos de sucesso com novas jornadas.
Presidente do PL afirma que prioridade é proteger lucro empresarial, enquanto setor produtivo se divide entre resistência e casos de sucesso com novas jornadas.
O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, subiu o tom contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Durante encontro com empresários do grupo Esfera Brasil, em São Paulo, o dirigente classificou a medida como uma “bomba para o país” e garantiu que a bancada bolsonarista utilizará todos os meios — “possíveis e impossíveis” — para impedir o avanço do texto na Câmara dos Deputados.
Em uma declaração direta sobre as prioridades da legenda, Valdemar afirmou que o foco é evitar prejuízos ao setor patronal.
A resistência à PEC deve se tornar um pilar da identidade do PL para os próximos ciclos eleitorais. Segundo Valdemar, o partido pretende usar o tema para diferenciar a plataforma política do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, embora ainda não tenha detalhado propostas alternativas para a gestão do trabalho.
A ofensiva do PL ganha força com o apoio de entidades de classe do empresariado e frentes parlamentares ligadas à indústria, comércio e serviços. A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) também manifestou críticas severas, argumentando que a mudança oneraria excessivamente o setor.
O avanço na Câmara – apesar da resistência, a proposta ganhou tração institucional. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já encaminhou o texto à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), destravando a tramitação. A expectativa é que o tema chegue ao plenário até maio, aproveitando o simbolismo do Dia do Trabalho.
Contraponto: Produtividade e o exemplo do setor varejista
Enquanto o debate político se acirra, exemplos práticos no setor privado trazem dados que contradizem o pessimismo dos bolsonaristas. Empresas que já abandonaram a escala 6×1 em favor da jornada 5×2 reportam indicadores positivos que vão além do bem-estar do funcionário:
- Aumento de produtividade: colaboradores mais descansados apresentam melhor desempenho.
- Retenção de talentos: queda acentuada nos pedidos de demissão e facilidade na contratação.
- Saúde ocupacional: redução significativa de faltas e afastamentos por doenças.
Um exemplo de destaque é a rede de supermercados Savegnago, em São Paulo. A gigante do varejo adotou a escala 5×2 com resultados considerados excelentes, mantendo um ritmo acelerado de expansão e abertura de novas unidades, provando que a flexibilização da jornada pode coexistir com o crescimento dos lucros.
Fonte: UOL







