Euclydes Pettersen é suspeito de receber R$ 14,7 milhões para dar proteção política a esquema; parlamentar afirma que comprou aeronave com recursos próprios
A Polícia Federal apreendeu nesta segunda-feira, 23, um jatinho pertencente ao deputado federal Euclydes Pettersen, do Republicanos de Minas Gerais. A medida faz parte da Operação Sem Desconto, que apura fraudes relacionadas a descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.
De acordo com as investigações, o parlamentar é suspeito de ter recebido ao menos R$ 14,7 milhões em propinas para garantir sustentação política a um esquema estruturado por meio de convênio entre o INSS e a Conafer. Em registros internos do grupo investigado, ele apareceria identificado pelo codinome “Herói E”, com repasses mensais realizados por intermédio de um assessor.
A PF aponta que o deputado teria papel estratégico na articulação entre o presidente da Conafer e pessoas com influência sobre indicações para o comando do INSS. Conforme os investigadores, a entidade recebeu cerca de R$ 708 milhões do instituto, sendo que aproximadamente 90% desse montante teria sido desviado por meio de empresas de fachada.
Os repasses atribuídos ao parlamentar teriam ocorrido por meio de transferências fracionadas, prática conhecida como “smurfing”, destinadas a empresas como Fortuna Loterias e Construtora VLH, sediadas no Vale do Rio Doce. Segundo a apuração, os pagamentos coincidiam com períodos em que o INSS liberava recursos à Conafer.
Em nota enviada ao site O Fator, parceiro de O Antagonista em Minas Gerais, Pettersen afirmou que a aeronave foi adquirida antes dos fatos investigados, com recursos próprios e de origem lícita. O deputado classificou o bloqueio de seus bens como medida cautelar prevista em lei e de caráter temporário, ressaltando que a decisão não representa julgamento antecipado. Ele declarou confiança nas autoridades, disse estar à disposição para colaborar com as investigações e reafirmou sua inocência.
Fonte: oantagonista.com.br







