Denominada “Fúria Épica”, operação mira cúpula do governo persa e coloca em xeque a estabilidade do Oriente Médio
Na manhã deste sábado (28), forças militares dos Estados Unidos e de Israel deram início à Operação Fúria Épica, um ataque surpresa coordenado contra alvos estratégicos do governo e das Forças Armadas do Irã.
A ofensiva atingiu a capital, Teerã, com foco na região do palácio presidencial e na residência do líder supremo, Ali Khamenei, além de explosões registradas no aeroporto Mehrabad.
O presidente Donald Trump e o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, justificaram a ação como uma medida para eliminar ameaças nucleares e permitir que o povo iraniano derrube a teocracia instalada em 1979. Em vídeo, Trump instou a população a ocupar prédios governamentais, declarando: “Entreguem suas armas ou enfrentem a morte certa“.
A resposta de Teerã foi imediata. Barragens de mísseis e drones foram lançadas contra Israel e quatro bases americanas na região. O conflito expandiu-se para aliados de Washington, atingindo o Qatar, Kuwait, Bahrein e os Emirados Árabes Unidos — onde foi confirmada ao menos uma morte.
No sul do Irã, a agência estatal Irna relatou que 40 pessoas morreram após uma escola ser atingida em Minab. Embora agências oficiais afirmem que Khamenei (86 anos) e o presidente Masoud Pezeshkian estão vivos, ainda não foram divulgadas imagens dos líderes após o início dos bombardeios.
O ataque ocorre em um momento de contradição diplomática. Na última quinta-feira (26), negociadores de ambos os países haviam sinalizado progressos em conversas mediadas por Omã, em Genebra, com uma nova rodada prevista para Viena. O Ministério das Relações Exteriores do Irã protestou contra a ofensiva, destacando que ela ocorre “no meio de um processo diplomático“.
O escopo da operação levanta dúvidas sobre o futuro do comando iraniano. Caso a cúpula tenha sido eliminada, a Constituição prevê uma junta provisória para governar o país. Especialistas apontam três cenários possíveis:
- Ditadura Militar: a Guarda Revolucionária assumir o controle direto do Estado.
- Guerra Civil: conflito interno entre grupos locais, dada a ausência de planos para uma invasão terrestre dos EUA.
- Restauração Monárquica: o herdeiro do xá deposto, Reza Pahlavi, classificou a ação como “intervenção humanitária” e se posiciona como alternativa de liderança.
O mercado global observa com apreensão o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do tráfego mundial de petróleo e gás, alvo potencial de bloqueio iraniano em resposta à ofensiva.
Fonte: Folha de S. Paulo







