Defesa alega que valores têm origem lícita e nega vínculos entre proprietário do dinheiro e a empresa de ônibus Transwolff
Um empresário protocolou uma petição na Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo reivindicando a propriedade de uma mala contendo quase R$ 1,2 milhão em espécie. O montante foi apreendido no dia 4 de fevereiro na residência do sargento Nereu Aparecido Alves, preso sob acusação de integrar uma organização criminosa que realizava a escolta de dirigentes da empresa de ônibus Transwolff — investigada por suposta lavagem de dinheiro para a facção criminosa PCC.
Ricardo Barnabé, sócio de diversas empresas com contratos públicos na Grande São Paulo e no interior, apresentou-se voluntariamente às autoridades. Por meio de seus advogados, ele afirma possuir documentação que comprova a origem e a licitude dos valores. Em declaração à imprensa, Barnabé negou qualquer vínculo com a Transwolff e classificou a situação como um mal-entendido.
Em depoimento, o sargento Nereu confirmou que presta serviços de segurança particular para Barnabé. Segundo o PM:
- O dinheiro foi buscado em Bauru (SP) no dia 3 de fevereiro a pedido do empresário.
- A quantia ficou sob sua guarda pois ele não conseguiu encontrar o contratante pessoalmente na capital antes da operação policial.
- O sargento justificou a prestação de serviços externos (o “bico”) como forma de complementar a renda familiar.
Questionado sobre o motivo de manter uma quantia vultosa em dinheiro vivo na casa de um segurança, Barnabé informou, via nota, que os detalhes serão esclarecidos oficialmente assim que for intimado.
A investigação também apura mensagens trocadas entre o sargento e dirigentes da Transwolff que citam o ex-vereador Milton Leite. O sargento negou ser o autor das mensagens, afirmando que apenas encaminhou conteúdos recebidos do capitão Alexandre Paulino Vieira, também preso e indiciado na operação.
O capitão Alexandre, que atuava na Assessoria Policial Militar da Câmara Municipal desde 2014, admitiu ter gerenciado serviços de segurança privada para a Transwolff, mas negou qualquer conhecimento de elos da empresa com o crime organizado. Sua defesa questiona a necessidade da prisão, alegando que os fatos investigados remontam a 2024 e que não houve fatos novos que justificassem a medida cautelar em 2026.
Fonte: Folha de S. Paulo







