O documento, que integra as investigações, aponta que o parlamentar utilizava sua posição institucional para blindar os interesses da organização criminosa e facilitar a articulação política do grupo.
A Polícia Federal concluiu, em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) exercia a “liderança do núcleo político” do Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
O documento, que integra as investigações da Operação Zargun, aponta que o parlamentar utilizava sua posição institucional para blindar os interesses da organização criminosa e facilitar a articulação política do grupo.
De acordo com os investigadores, Bacellar que até dezembro presidia a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), teria atuado como um “elo político” capaz de fornecer interlocução institucional para proteger as ações da facção.
A investigação ganhou novos contornos após a suspeita de que Bacellar teria repassado detalhes sigilosos da Operação Zargun a TH Joias antes do cumprimento de mandados judiciais.
O parlamentar foi preso preventivamente em dezembro, quando compareceu à superintendência da PF no Rio. Dias depois, a Alerj votou pela revogação da prisão. Bacellar foi solto, mas segue submetido a medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF: uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e afastamento da presidência da Casa.
Na versão final do relatório, a Polícia Federal afirma que o caso revela a promiscuidade entre o crime organizado e agentes públicos.
Os investigadores alertam ainda que a atuação do deputado evidencia a existência de um “verdadeiro estado paralelo”, sustentado por articulações políticas capazes de comprometer o enfrentamento a grupos criminosos violentos.
Em nota, a defesa do deputado, assinada pelo advogado Daniel Bialski, afirmou que “inexiste qualquer elemento probatório” que associe Bacellar a ilícitos ou ao vazamento de informações. “Não há provas que sustentem as acusações”, diz o texto.
Fonte: Agenda do Poder







