Decisão de Madri amplia crise diplomática com Washington em meio à escalada militar no Oriente Médio
A Espanha decidiu impedir que suas bases militares sejam usadas em ataques dos Estados Unidos contra o Irã, aprofundando um impasse diplomático que já provoca reflexos políticos e econômicos. O chanceler José Manuel Albares afirmou que as instalações espanholas não participarão de ações fora do acordo bilateral de defesa ou que contrariem a Carta da ONU.
Apesar do veto, houve intensa movimentação nas bases de Base Naval de Rota e Base Aérea de Morón, consideradas estratégicas para a presença militar norte-americana na Europa e no Mediterrâneo. Desde o início das operações, aeronaves ligadas aos EUA decolaram dessas unidades com destino, em muitos casos, à Base Aérea de Ramstein, na Alemanha, um dos principais centros logísticos das forças americanas.
Registros públicos apontam a atuação de aviões-tanque como o KC-135 Stratotanker e o KC-46 Pegasus, fundamentais para o reabastecimento em voo de caças deslocados ao Oriente Médio. A movimentação reforça o papel da Espanha como hub logístico, mesmo sem participação direta nos ataques.
Em resposta, o governo norte-americano anunciou que poderá rever as relações comerciais com Madri, incluindo a hipótese de suspender o comércio bilateral. A medida poderia atingir setores como o agroalimentar e o industrial, embora esbarre no fato de a Espanha integrar a União Europeia, responsável por negociar acordos comerciais em bloco.
Enquanto países como Reino Unido, França e Alemanha sinalizam apoio às ações de contenção, a posição espanhola evidencia uma estratégia mais cautelosa. A crise, que começou no campo militar, agora ameaça se expandir para a economia e para o equilíbrio interno da OTAN.
Fonte: cavok.com.br







