Intervenções no Afeganistão, Iraque e Líbia servem de alerta para nova aposta de EUA e Israel em mudança de regime
A nova ofensiva liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contra o Irã tem um objetivo declarado: pôr fim ao regime teocrático instalado em Teerã há mais de quatro décadas. Após os primeiros ataques, Trump incentivou a população iraniana a assumir o controle do país, enquanto Netanyahu afirmou que a ação abriria caminho para uma nova liderança.
A confirmação da morte do líder supremo Ali Khamenei reforçou o discurso de mudança profunda na estrutura de poder iraniana. Especialistas, no entanto, veem a estratégia com forte ceticismo.
O histórico dos Estados Unidos em operações de mudança de regime é extenso. Em 1953, a CIA, com apoio do MI6, participou da derrubada do premiê iraniano Mohammed Mossadegh, episódio que ajudou a pavimentar o caminho para a Revolução Islâmica de 1979.
Casos mais recentes reforçam as incertezas. No Afeganistão, a derrubada do Talibã após 2001 terminou com o retorno do grupo ao poder duas décadas depois. No Iraque, a invasão que retirou Saddam Hussein do poder abriu espaço para guerra civil e para o avanço do Estado Islâmico. Na Líbia, a intervenção da OTAN levou à queda de Muammar al-Gaddafi, mas mergulhou o país em divisão e instabilidade.
Analistas alertam que mudanças impostas de fora costumam gerar vácuos de poder e conflitos prolongados. No caso iraniano, há risco de disputa interna ou até colapso institucional. A experiência recente indica que derrubar um governo é apenas o primeiro passo, e nem sempre o mais difícil.
Fonte: dw.com







