Enquanto a Petrobras mantém preços estáveis, ganância e cartel produzem aumentos artificiais nos preços dos combustíveis. Verdadeiros saguessuguas da sociedade brasileira.
O roteiro é conhecido, mas não deixa de ser revoltante. Basta um disparo de míssil a milhares de quilômetros de distância ou uma manchete internacional sobre a escalada de tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã para que, magicamente, as bombas de combustíveis no Brasil sofram um “efeito imediato”.
O problema? Esse efeito ignora a realidade técnica, a logística nacional e, principalmente, a ausência de qualquer comunicado oficial da Petrobras.
A Petrobras é responsável por quase 80% do fornecimento de gasolina no país. Até o presente momento, a estatal não anunciou qualquer reajuste baseado na volatilidade internacional do barril de petróleo Brent. No entanto, o consumidor que chega ao posto hoje já encontra valores remarcados “para cima”.
Essa prática revela um oportunismo sistêmico. Quando o petróleo sobe no mercado global, as distribuidoras elevam os preços em horas, alegando “custo de reposição”. Contudo, quando o cenário é de queda, a mesma agilidade desaparece, dando lugar a uma lentidão burocrática que só favorece o fluxo de caixa das empresas.
A justificativa de “instabilidade geopolítica” serve como uma luva para mal-intencionados. Ao especular sobre uma guerra que ainda não interrompeu o fluxo de fornecimento interno, os agentes da cadeia de combustíveis promovem uma inflação artificial que atinge toda a sociedade, a partir de uma minoria de especuladores que utilizam de notícias falsas e aproveitam a desgraça alheia.
Fonte: G1 Globo







