Promotor do MP-SP alerta que classificar facção como terrorista pode dificultar troca de informações entre Brasil e autoridades americanas
Autoridades dos Estados Unidos demonstraram preocupação com a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em seu território, especialmente no tráfico de fentanil e de armas. A informação foi revelada pelo promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco/MP-SP), Lincoln Gakiya.
Segundo o promotor, assessores do Departamento de Estado norte-americano procuraram o Ministério Público paulista para obter detalhes sobre a facção. Ele afirma que cresce o número de integrantes do PCC atuando nos EUA, além de operações de lavagem de dinheiro, principalmente na Flórida, com investimentos no mercado imobiliário e uso de criptomoedas.
Gakiya destacou que hoje existe cooperação direta entre autoridades brasileiras e agências americanas, como FBI e DEA, inclusive com operações realizadas a partir de informações compartilhadas pelo Brasil.
No entanto, ele alerta que a possível classificação do PCC como organização terrorista pelos Estados Unidos pode prejudicar essa colaboração. Nesse cenário, dados de inteligência poderiam passar a ter nível de sigilo mais alto e ficar sob responsabilidade da CIA, dificultando o acesso de investigadores brasileiros.
O promotor também defende que a facção não possui características de terrorismo. Segundo ele, o PCC é uma organização criminosa transnacional com perfil semelhante ao de uma máfia, focada em lucro e domínio territorial, sem motivação política ou ideológica.
Levantamento do Ministério Público de São Paulo aponta que o PCC já está presente em pelo menos 28 países, com mais de dois mil integrantes identificados fora do Brasil, muitos deles atuando dentro de presídios para recrutar novos membros e expandir atividades criminosas.
Fonte: g1.globo.com







