Agentes da PC Paulista utilizam dados bancários sigilosos e brechas em inquéritos preliminares para cobrar propina de investigados.
Órgãos de combate ao crime organizado do Ministério Público, da Polícia Federal e da própria Polícia Civil identificaram um sofisticado esquema de corrupção dentro da instituição em São Paulo.
O grupo utilizava relatórios de inteligência financeira do Coaf, criados para rastrear lavagem de dinheiro, como ferramenta de coerção e extorsão, principalmente na capital paulista.
O esquema funcionava de forma estratégica: policiais solicitavam dados bancários de um alvo principal e, a partir deles, identificavam pessoas que tiveram qualquer relação financeira com o suspeito. Esses terceiros eram intimados, muitas vezes de maneira informal, e pressionados a pagar propina para que a investigação não avançasse. Se houvesse pagamento, o procedimento era interrompido.
A prática criminosa se baseava em duas frentes principais:
- Uso seletivo de dados: Relatórios do Coaf muitas vezes sequer eram anexados aos processos oficiais, servindo apenas como instrumento de pressão.
- Investigação Preliminar Sumária (IPS): os agentes utilizavam a IPS, um procedimento administrativo mais flexível que o inquérito comum. Por tramitar majoritariamente em papel e fora de sistemas eletrônicos centralizados, a IPS dificulta a fiscalização e o controle externo.
A crise ganhou visibilidade com a Operação Bazaar, que resultou na prisão de um delegado, dois investigadores e um escrivão, além do afastamento de outros agentes pelo Gaeco. Há também suspeitas de irregularidades na apreensão de materiais, como a substituição de um HD apreendido em 2022 para ocultar provas.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que irregularidades são apuradas com rigor e destacou que, na atual gestão, 170 agentes foram presos e 70 demitidos. Sobre as falhas de controle, a pasta informou que:
- A tramitação física das investigações segue a norma vigente e não compromete o controle.
- Está em curso uma modernização gradual dos sistemas eletrônicos.
- O Governo de São Paulo reestruturou a Unidade de Gestão de Integridade (UGI) para prevenir desvios de conduta e criar novos protocolos internos.
Fonte: Valor Econômico







