Reservas estratégicas e energia renovável amortecem impacto, enquanto guerra no Irã pressiona custos e abastecimento
A crise global provocada pelo conflito no Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz provocou forte alta nos preços do petróleo e reduziu a oferta mundial, atingindo em cheio países asiáticos dependentes da região do Golfo. A China, maior importadora de petróleo do planeta, também sofre os efeitos, mas enfrenta o cenário com uma estrutura mais preparada.
Nos últimos anos, Pequim investiu na diversificação de fornecedores e na construção de grandes reservas estratégicas, estimadas entre 900 milhões e 1,4 bilhão de barris. Esse volume funciona como um importante colchão em momentos de instabilidade. Além disso, o país ampliou sua relação com a Rússia, que hoje responde por cerca de 20% das importações, reduzindo parcialmente a dependência do Oriente Médio.
Outro fator que fortalece a posição chinesa é sua matriz energética diversificada. O carvão ainda ocupa papel central na geração de eletricidade, enquanto as fontes renováveis, como solar e eólica, avançam rapidamente e já representam uma fatia crescente da produção. Esse movimento ajudou a diminuir o peso do petróleo no consumo total de energia, além de ser reforçado pela expansão dos veículos elétricos.
Apesar dessa preparação, a crise atual evidencia limitações. A dependência de rotas marítimas estratégicas e a necessidade de petróleo para setores industriais, como o petroquímico, ainda tornam a economia chinesa vulnerável a choques externos. O aumento recente nos preços da gasolina e do diesel já pressiona custos internos e pode impactar a inflação.
A estratégia adotada pela China garante maior capacidade de resistência no curto prazo, mas o cenário atual mostra que, mesmo com planejamento e diversificação, o país ainda não está imune às turbulências do mercado global de energia.
Fonte: bbc.com







