Estoques antigos, especulação e busca por maiores lucros atrasam queda de preços nas prateleiras
O preço do cacau caiu mais de 80% desde o pico registrado em dezembro de 2024 e atingiu, em março, o menor nível dos últimos três anos, segundo a StoneX. Mesmo assim, o consumidor ainda não sentiu alívio no bolso.
Dados do IPCA-15 mostram que o chocolate em barra e bombons acumula alta de 24,87% em 12 meses até março. Já o chocolate em pó e achocolatados subiram 17,84% no período.
De acordo com o especialista Rafael Crestana, os produtos vendidos hoje foram fabricados com cacau comprado quando os preços estavam no auge. Como a indústria trabalha com estoques, a queda da matéria-prima demora a chegar ao consumidor.
Antes de repassar os aumentos, empresas tentaram conter impactos reduzindo margens, diminuindo o peso dos produtos e alterando fórmulas. Ainda assim, os preços subiram e o consumo caiu, especialmente em mercados como Estados Unidos e Europa.
A moagem de cacau recuou 7,33% em dezembro de 2024, sinalizando menor demanda. A expectativa é que os preços do chocolate comecem a cair apenas quando os estoques forem renovados, o que deve ocorrer entre o fim deste ano e o início de 2026.
A recente queda do cacau também reflete a recuperação gradual da produção em países da África Ocidental, após problemas climáticos que afetaram as safras nos últimos anos.
Fonte: istoedinheiro.com.br







