Reduzir horas extenuantes não compromete a economia e permite mais tempo para família, estudo e participação social
A escala 6×1, com seis dias de trabalho e apenas um de descanso, ainda é comum no Brasil. Embora respeite o limite de 44 horas semanais, esse modelo desgasta física e mentalmente, reduz convívio familiar e dificulta estudo ou qualificação.
Propostas para limitar a jornada enfrentam resistência, com críticas sobre aumento de custos e informalidade. Algumas falas controversas afirmam que tempo livre excessivo exporia trabalhadores a drogas ou jogos de azar.
A história mostra que alarmismos nem sempre se confirmam. Após a Lei Áurea e a criação da CLT, previsões de colapso econômico não se concretizaram, e direitos trabalhistas ajudaram a estruturar relações mais estáveis. A “PEC das Domésticas” ampliou direitos de um grupo historicamente marginalizado.
Para Amartya Sen, prêmio Nobel de 1998, desenvolvimento envolve ampliar liberdades reais. Nesse sentido, reduzir jornadas extenuantes é parte do crescimento humano, permitindo proteção social, tempo para estudo e convívio familiar.
Experiências internacionais reforçam a ideia: países europeus com semanas de quatro dias ou jornadas menores mantêm ou aumentam produtividade. Tecnologias como automação e inteligência artificial podem absorver parte das horas reduzidas, evitando impactos negativos no emprego.
Mais do que economia, limitar a escala 6×1 é escolha política e cultural sobre direitos e justiça. Reduzir jornadas extenuantes amplia liberdades fundamentais e redefine desenvolvimento em uma sociedade democrática.
Fonte: conjur.com.br







