Bombardeio criminoso em Kfar Hatta ignora prazo de evacuação e vitima civis sem meios de transporte
A escalada de violência no Líbano atingiu um novo ápice trágico neste domingo (5). Um ataque das forças armadas de Israel contra a localidade de Kfar Hatta, situada no sul do país e distante da zona de fronteira, resultou na morte de sete civis. Entre as vítimas está uma família de seis pessoas que, sem recursos e sem veículo próprio, aguardava resgate no momento do bombardeio.
Segundo relatos locais, o exército israelense havia emitido uma ordem de evacuação para a cidade. No entanto, o início da ofensiva não respeitou o tempo necessário para que as populações mais vulneráveis, incluindo crianças e idosos de famílias pobres, abandonassem a área.
A família vitimada já era composta por deslocados de guerra que haviam fugido de cidades mais ao sul. Por não possuírem carro, eles aguardavam a chegada de um parente que se deslocava para buscá-los. O impacto do míssil atingiu o grupo precisamente durante a espera; o motorista e parente da família também morreu na explosão.
Enquanto o sul ardia, a capital Beirute voltou a ser alvo de ataques aéreos e navais:
- Ataque em Ghobeiry: um prédio na zona de Bir Hassan-Jnah foi atingido após um alerta de evacuação emitido pela mídia estatal libanesa.
- Baixa Altitude: aviões de guerra israelenses foram avistados sobrevoando a capital em baixa altitude, espalhando pânico entre os moradores.
- Bloqueio Naval: navios de guerra israelenses têm participado ativamente das operações. Na última quarta-feira, um ataque vindo do mar contra Beirute resultou na morte de um alto dirigente do Hezbollah.
Diante do cenário de devastação, o presidente libanês, Joseph Aoun, fez um pronunciamento contundente em rede nacional neste domingo. Aoun reiterou a urgência de uma via diplomática para evitar que o sul do Líbano sofra a mesma destruição sistemática observada na Faixa de Gaza.
“É verdade que Israel pode querer fazer no sul do Líbano o que fez em Gaza. Gaza foi destruída, mais de 70 mil pessoas foram mortas, afirmou o presidente.
Aoun questionou a lógica da continuidade do conflito, defendendo que o diálogo deve ocorrer antes que que a população do Sul do Líbano sejam totalmente aniquilada.
Fonte: Le Monde e Estadão







