Já o atual presidente do Banco Central Gabriel Galipolo compareceu e prestou seu depoimento ontem, quarta-feira (09/04) sem medo e respondeu todas as perguntas feitas pelo senadores.
A CPI do Crime Organizado tornou-se o mais novo palco de uma queda de braço que transcende a técnica econômica e mergulha profundamente na política institucional brasileira. No centro do palco, dois personagens que personificam visões distintas de gestão e de relação com o Legislativo: o atual presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e seu antecessor, Roberto Campos Neto.
A contradição entre as atitudes dos dois economistas não poderia ser mais explícita. Enquanto Galípolo compareceu no colegiado ontem, quarta-feira (8 de abril de 2026), adotando uma postura de “colaboração institucional”, Campos Neto utilizou o aparato jurídico para manter o silêncio, amparado por uma decisão liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Para o ex-presidente do BC, a CPI representa um “desvio de finalidade”. Roberto Campos Neto recorreu ao STF alegando que a convocação não possuía fato determinado e que a comissão estaria sendo utilizada como instrumento de perseguição política. O ministro André Mendonça acatou a tese da defesa, transformando a convocação obrigatória em um convite facultativo.
Com a liminar em mãos, Campos Neto optou pelo não comparecimento. A ausência do ex-dirigente foi vista por senadores da oposição como um direito de defesa preservado, mas para a base governista e os relatores da CPI, soa como uma tentativa de evitar explicações sobre a supervisão do BC no chamado Caso Master um escândalo envolvendo fraudes e lavagem de dinheiro que teria ocorrido sob sua gestão.
Em contraste direto, Gabriel Galípolo, mesmo tendo sido citado em requerimentos que mencionam sua participação em reuniões com investigados em novembro de 2024, escolheu o caminho da exposição. Ao ir à CPI como convidado, o atual presidente busca desarmou as críticas de que o Banco Central estaria “fechado em uma torre de marfim”.
Ele se diferenciou do antecessor ao mostrar que não teme o questionamento parlamentar, mesmo que isso signifique se sentar em uma cadeira desconfortável perante opositores.
A divergência de conduta criou um hiato nas investigações sobre a relação entre o Banco Master, corrupção e crime organizado. A lacuna deixada pela fuga da convocação/convite por Campos Neto impediu que a CPI esclareça decisões tomadas em anos anteriores quando Daniel Vorcaro consegui aprovação para se tornar banqueiro em final de 2019 na gestão de Roberto Campos já no governo Bolsonaro
O gesto de Galípolo pode fortaleceu sua imagem junto ao governo e ao Senado, consolidando sua liderança em um momento de transição na política monetária. Por outro lado, o silêncio de Campos Neto, embora juridicamente blindado, alimenta a narrativa de que o Banco Central do passado operava sob uma lógica de distanciamento que beirava prevaricação ou leniência com as falcatruas de Daniel Vorcaro.
Fonte: Metropoles e Folha de S. Paulo







