Crime ocorreu no local de trabalho da vítima, de 62 anos, em fevereiro deste ano. Além da pena de prisão, condenado deverá pagar R$ 100 mil de indenização às duas filhas da mulher.
Juliano Donizete Micelli foi condenado a 56 anos de prisão pelo assassinato da companheira, Denuzia Pereira de Castro, de 62 anos, em Araraquara, no interior de São Paulo. A decisão foi anunciada após julgamento pelo Tribunal do Júri, realizado na terça-feira (3). O cumprimento da pena será em regime inicialmente fechado, e o réu não poderá recorrer em liberdade.
Além da condenação criminal, Juliano deverá pagar R$ 50 mil para cada uma das duas filhas da vítima, totalizando R$ 100 mil em indenizações por danos morais. A condenação foi obtida por meio da atuação da Promotoria de Justiça Criminal de Araraquara.
O feminicídio aconteceu em 12 de fevereiro deste ano, no Ponto de Entrega Voluntária (PEV), localizado no Parque das Hortênsias. Na ocasião, Denuzia estava trabalhando na separação de materiais recicláveis quando foi surpreendida pelo companheiro, que a atacou com 55 golpes de faca. Depois da agressão, ele colocou o corpo da mulher em uma caçamba destinada ao descarte de materiais recicláveis.
De acordo com a investigação, o relacionamento dos dois era marcado por conflitos, ameaças e episódios de violência, associados ao comportamento ciumento e possessivo do agressor. O casal mantinha uma união estável havia aproximadamente dois anos.
Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o homem esteve no local de trabalho da companheira durante a manhã e pediu dinheiro para comprar drogas. Denuzia entregou uma quantia, mas ele retornou outras vezes, demonstrando desconfiança em relação à fidelidade da mulher. No início da tarde, voltou ao estabelecimento levando uma faca. Após uma discussão, iniciou os ataques que provocaram a morte da vítima por hemorragia aguda.
Depois do assassinato, o suspeito foi localizado por policiais militares nas proximidades da residência onde morava. Ele estava com a faca e teria resistido à abordagem, avançando contra os agentes. Para contê-lo, os policiais utilizaram munição de impacto controlado e uma arma de choque, conseguindo efetuar a prisão.
A sentença reconheceu as circunstâncias agravantes do crime, considerando o contexto de violência doméstica e familiar, a idade da vítima, superior a 60 anos, a crueldade empregada na execução e a dificuldade de defesa da mulher diante do ataque.
Na decisão, o juiz Giovani Augusto Serra Azul Guimarães destacou a gravidade da conduta do condenado, apontando características de violência, possessividade e perversidade em sua atuação.
Denuzia prestava serviços à empresa Ecoares, responsável pela execução de atividades de limpeza pública no município. Segundo informações divulgadas à época, uma das filhas relatou que a mãe conheceu Juliano enquanto visitava outro familiar que estava preso. O homem também possuía antecedentes por crimes de furto e roubo e havia deixado o sistema prisional cerca de dois anos antes do feminicídio.
De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a decisão ainda admite recurso, mas foi determinado que o condenado permaneça preso durante o andamento do processo.
Fonte: g1.globo.com







