O mecanismo é de um cinismo galopante. Batizado informalmente de “sistema 3×1”. Na prática, o servidor do legislativo pode abrir mão da folga para engordar o contracheque com valores de até R$ 77 mil mensais
Não falha nunca. No primeiro dia útil de votações em 2026, quando o brasileiro ainda tentava digerir as contas de início de ano e a dureza da rotina, o Congresso Nacioanal (deputados federais e senadores) resolveu mostrar quais são as suas verdadeiras prioridades.
Com uma agilidade que nunca vemos para votar a redução da carga tributária ou a melhoria dos serviços básicos, os parlamentares aprovaram o PL 179/2026.
O objetivo? Criar um novo puxadinho financeiro para os servidores comissionados da Câmara, atropelando o teto constitucional e a decência pública.
O mecanismo é de um cinismo galopante. Batizado informalmente de “sistema 3×1”, o projeto garante aos comissionados (de carreira ou externo – sem concurso) um dia de licença para cada três trabalhados. Mas a cereja do bolo não é o descanso, e sim a conversão disso em dinheiro (pecúnia) no bolso dos já priveliados funcionários públicos do Legislativo brasileiro.
Na prática, o servidor pode abrir mão da folga para engordar o contracheque com valores que podem chegar a R$ 77 mil mensais.
É um tapa na cara de quem acorda às 5h da manhã para encarar um transporte público precário e uma jornada 6×1 exaustiva.
Enquanto isso o deputado Hugo Motta, o senador Davi Alcolumbre e seus pares sentam em cima de pautas que humanizariam a vida do trabalhador comum, eles correm para garantir que a sua “bolha” viva em um regime de primeiro mundo sustentado por um país de terceiro.
O momento mais emblemático da votação foi o “argumento” de Davi Alcolumbre. Ao ser questionado sobre a moralidade da medida, ele não negou o absurdo; apenas justificou que o Senado, o TCU e o Judiciário já possuem benefícios semelhantes.
É a institucionalização da mamata. No universo paralelo de Brasília, se um órgão cria um privilégio, os outros sentem-se no direito de reivindicar o seu “quinhão” para não ficarem para trás na corrida do desperdício.
A lógica é perversa: eles usam o erro alheio para validar o próprio abuso. Se o Judiciário fura o teto, por que a Câmara dos Deputados e o Senado não haveriam de furar também?
Até quando o Brasil aceitará financiar essa casta em todo legislativo brasileiro: Federal, Estadual e Municipal?
Por Por Marco Antônio Mourão – Gestor Educacional e de Pessoas, Professor aposentado, Sócio proprietário da Equipe Assessoria Educacional Ltda, adora conversar sobre Política do dia a dia, Ciência Política, Economia e Gestão Pública Municipal.








