Empobrecimento e desvalorização do peso frente ao real, tornou as férias no Brasil um artigo de luxo para a classe média argentina.
Quem caminha pelas areias de Canasvieiras ou Ingleses, em Florianópolis, neste janeiro de 2026, nota uma ausência sentida. O sotaque espanhol e o hábito do mate à beira-mar, marcas registradas do verão catarinense, estão menos frequentes. O que era uma percepção visual dos comerciantes locais agora ganha o peso dos números oficiais: a “invasão” argentina sofreu um recuo drástico.
De acordo com dados da Fecomércio, a presença de turistas argentinos na capital catarinense despencou na primeira quinzena de janeiro. Enquanto em 2025 eles representavam 39% do total de visitantes, o índice caiu para 24% no mesmo período deste ano. Trata-se de uma retração de 38,4%, um impacto considerável para uma economia que tem no país vizinho o seu principal cliente externo.
A diminuição não significa um desaparecimento total — os argentinos ainda compõem quase 20% do fluxo turístico de todo o estado de Santa Catarina — mas a mudança de comportamento é evidente.
Especialistas e analistas de mercado apontam um conjunto de fatores que explicam esse fenômeno em 2026:
- Instabilidade econômica na Argentina: a persistente crise financeira no país vizinho, aliada à desvalorização do peso frente ao real, tornou as férias no Brasil um artigo de luxo para a classe média argentina.
- Aumento do custo de vida em SC: o litoral catarinense registrou uma alta nos preços de hospedagem e alimentação, refletindo a inflação interna e a valorização de destinos premium, o que afasta o turista que viaja com o orçamento apertado.
- Barreiras logísticas: o custo dos combustíveis e das passagens aéreas também pesou na decisão de cruzar a fronteira.
Para os comerciantes de Florianópolis, a “minguada” dos hermanos exige uma recalibragem imediata. O setor de serviços, que muitas vezes projeta o estoque e a contratação de temporários baseando-se no histórico de lotação argentina, enfrenta agora um cenário de maior ociosidade.
A estratégia agora parece ser focar no turismo doméstico, tentando atrair brasileiros de outros estados para preencher a lacuna deixada pelos estrangeiros. No entanto, o “vazio” deixado pela queda de 38% na presença argentina é um lembrete de que a dependência excessiva de um único mercado emissor pode ser um risco para o turismo catarinense.
Fonte: Fecomércio de SC







