Relatório da Polícia Civil aponta falhas na moderação e destaca aumento de delitos, com adolescentes entre as principais vítimas
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) retomou a investigação contra o Discord após a apresentação de novos indícios de crimes praticados dentro da plataforma. As informações foram encaminhadas pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSol) e pela Polícia Civil de São Paulo, que identificaram inclusive lideranças responsáveis por orientar e incentivar a prática de delitos em servidores do aplicativo.
A promotoria havia instaurado um inquérito civil contra a empresa em 6 de junho de 2023. O procedimento foi arquivado em 7 de outubro de 2024, mas acabou reaberto no último dia 11 de fevereiro, diante dos novos elementos apresentados.
Dois dias antes da reabertura, em 9 de fevereiro, o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), vinculado à Polícia Civil paulista, enviou relatório ao MPSP analisando a responsabilidade da plataforma quanto à moderação de conteúdos e à cooperação com autoridades policiais.
No documento, o núcleo destacou o crescimento expressivo de crimes cometidos por meio do Discord e apontou que as configurações do aplicativo favorecem o anonimato e dificultam a identificação dos usuários. Segundo o relatório, a empresa não adota mecanismos preventivos considerados eficazes para detectar, impedir ou interromper práticas criminosas em seus servidores.
O levantamento também indica que a maioria das vítimas desses crimes é composta por adolescentes do sexo feminino, o que acendeu alerta entre os órgãos de investigação.
Na portaria que determinou a reabertura do inquérito civil, o Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) estabeleceu prazo de cinco dias para que o Discord apresente recurso ao Conselho Superior do MPSP. O caso segue sob apuração.
Fonte: metropoles.com







