União Africana defende reconhecimento histórico e moral; iniciativa enfrenta resistência internacional
A União Africana vai apresentar à Organização das Nações Unidas uma proposta para que o tráfico transatlântico de africanos escravizados seja reconhecido como o mais grave crime contra a humanidade. A iniciativa é liderada por Gana e defendida pelo presidente John Dramani Mahama.
Entre os séculos 15 e 19, milhões de africanos foram levados à força para as Américas. Estimativas apontam que mais de 12 milhões foram embarcados, e cerca de 10,7 milhões chegaram vivos. Até 2 milhões morreram durante a travessia.
Ao discursar em Adis Abeba, na Etiópia, Mahama afirmou que há base jurídica e obrigação moral para o reconhecimento. Segundo ele, os impactos da escravidão ainda se refletem em desigualdades raciais e econômicas. A União Africana declarou 2025 como o Ano da Justiça para Africanos por meio de Reparações, ressaltando que o foco inicial é o reconhecimento histórico.
A proposta enfrenta resistência de países que se beneficiaram economicamente do tráfico. Nos Estados Unidos, aliados do ex-presidente Donald Trump já criticaram a ideia de responsabilizar gerações atuais por crimes do passado.
Especialistas afirmam que o objetivo não é criar uma hierarquia de tragédias, mas reconhecer a dimensão global e os efeitos duradouros da escravidão transatlântica na formação do mundo moderno.
Fonte: dw.com







