Fundos municipais aplicaram R$ 447,5 milhões na instituição financeira e eventual prejuízo pode impactar diretamente os cofres públicos
Fundos de previdência de 15 municípios brasileiros destinaram recursos para letras financeiras do Banco Master, segundo levantamento do Ministério da Previdência Social com base em dados do Cadprev, sistema que reúne informações dos regimes próprios de previdência.
Entre essas cidades, cinco já apresentam situação deficitária, de acordo com os Demonstrativos de Resultados da Avaliação Atuarial. Isso significa que os recursos disponíveis são insuficientes para garantir o pagamento futuro de aposentadorias e pensões. No total, os fundos municipais aplicaram R$ 447,5 milhões na instituição.
O maior desequilíbrio foi registrado em Maceió, que acumula um déficit de R$ 299,4 milhões. O município também lidera o volume investido no banco, com R$ 97 milhões aplicados. Além da capital alagoana, também apresentam resultados negativos os regimes de previdência de Campo Grande, Araras, Santa Rita d’Oeste e Paulista.
Por outro lado, dez cidades que também investiram no Banco Master não apresentam déficit atualmente. Estão nessa lista Angélica, Aparecida de Goiânia, Fátima do Sul, Jateí, São Gabriel do Oeste, Cajamar, Santo Antônio da Posse, São Roque, Congonhas e Itaguaí.
O governo federal informou que a responsabilidade por eventuais perdas recai sobre estados e municípios. Caso os recursos acumulados e as contribuições não sejam suficientes para cobrir os benefícios previdenciários no futuro, caberá ao ente público arcar com os pagamentos.
As aplicações realizadas pelos fundos foram feitas por meio de letras financeiras, modalidade que não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos. Mesmo nos casos em que há cobertura, o limite de garantia é de R$ 250 mil por instituição, valor muito inferior aos montantes investidos.
Na prática, esse tipo de aplicação representa um empréstimo ao banco, com expectativa de retorno por meio de juros. O risco, no entanto, fica concentrado nos investidores, neste caso os regimes municipais de previdência.
O episódio envolvendo o Banco Master é considerado o maior rombo bancário da história do país, somando R$ 51,8 bilhões. O valor inclui também prejuízos relacionados ao Will Bank e ao Banco Pleno. Juntos, os seis maiores colapsos bancários do Brasil chegam a R$ 140,7 bilhões em valores atualizados, sendo que o caso do Master responde por mais de um terço desse total.
Fonte: poder360.com.br







