Plano mediado pelo Paquistão prevê trégua já nesta segunda-feira e negociações para encerrar conflito em até 20 dias, com possível reabertura do Estreito de Ormuz
Irã e Estados Unidos analisam uma proposta de cessar-fogo que pode entrar em vigor já nesta segunda-feira (6), segundo informações divulgadas pela agência Reuters. O plano, articulado pelo Paquistão, sugere uma interrupção imediata das hostilidades, seguida de negociações para um acordo mais amplo que encerre o conflito em definitivo.
A proposta foi apresentada aos dois países durante a noite e estabelece uma estratégia em duas fases. Na primeira etapa, seria implementado um cessar-fogo imediato, o que poderia abrir caminho para a reabertura do Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte global de petróleo que está fechado há mais de um mês pelo Irã. Em seguida, as partes teriam entre 15 e 20 dias para concluir um acordo mais abrangente.
O governo iraniano informou que já formulou uma resposta diplomática, mas não revelou seu conteúdo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, disse que a posição oficial será divulgada no momento considerado adequado. Ainda assim, autoridades iranianas sinalizaram resistência a medidas temporárias, afirmando que o país não pretende reabrir o estreito apenas com base em uma trégua provisória nem aceitar prazos impostos externamente.
Do lado norte-americano, não houve aprovação formal até o momento. A Casa Branca indicou que o plano é apenas uma das alternativas em análise. No domingo, o presidente Donald Trump afirmou esperar um acordo de cessar-fogo com o Irã em breve, embora não tenha confirmado se se referia à proposta mediada pelo Paquistão.
O plano, chamado provisoriamente de “Acordo de Islamabad”, também pode incluir negociações presenciais na capital paquistanesa para definir os termos finais. A iniciativa prevê ainda compromissos do Irã relacionados ao seu programa nuclear, em troca de alívio de sanções econômicas e liberação de ativos congelados.
Segundo fontes, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, manteve contato contínuo com autoridades de alto escalão, incluindo o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o chanceler iraniano Abbas Araqchi, na tentativa de viabilizar o entendimento.
A proposta surge em meio à escalada das tensões na região e à preocupação internacional com os impactos no fornecimento global de petróleo, especialmente devido à importância estratégica do Estreito de Ormuz. A ausência de menção direta a Israel no plano, apesar de sua participação no conflito ao lado dos Estados Unidos, também levanta dúvidas sobre a viabilidade de um acordo amplo no curto prazo.
Fonte: g1.globo.com







