Projeto oferece apoio, renda e acolhimento, mas saída definitiva ainda é limitada por falta de oportunidades
A rotina de mulheres mais velhas em situação de prostituição no centro de São Paulo expõe desafios que vão além da renda. Muitas enfrentam jornadas intensas, vulnerabilidade social e dificuldades para deixar a atividade. Nesse cenário, o coletivo Mulheres da Luz atua como uma rede de apoio.
A iniciativa atende cerca de 120 mulheres por semana com ações de escuta, atendimento psicológico e encontros coletivos realizados na região do Parque da Luz. O grupo também investe em educação, com alfabetização e reforço escolar, além de promover alternativas de renda por meio de uma cooperativa de artesanato.
A história de Ana Moreira, de 41 anos, reflete essa realidade. Ela entrou na prostituição ainda jovem, buscando independência após conflitos familiares. Anos depois, encontrou no projeto suporte para reorganizar a própria vida. Hoje, atua como agente de prevenção, orientando outras mulheres sobre saúde e distribuindo insumos.
O coletivo também oferece apoio básico, como cestas de alimentos e itens de higiene, além de parcerias na área da saúde para testagem e prevenção de infecções. Ainda assim, deixar a prostituição de forma definitiva segue sendo um desafio.
A maioria das atendidas tem entre 40 e 70 anos, baixa escolaridade e dificuldade de inserção no mercado formal. Muitas sustentam filhos e netos e acabam retornando à atividade por falta de alternativas estáveis.
Para as organizadoras, o foco não é retirar essas mulheres da prostituição, mas ampliar possibilidades e garantir dignidade. O trabalho busca fortalecer a autonomia em meio a uma realidade marcada por exclusão e preconceito.
Fonte: dw.com







