Investigação visa desarticular esquema existente em Mairinque (SP). Os PMs são acusados de receber propina de traficantes, roubar drogas durante abordagens, forjar flagrantes e ameaçar testemunhas
A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo deflagrou uma investigação rigorosa para desarticular um suposto esquema de corrupção enraizado no 50º Batalhão de Mairinque, no interior paulista. Ao menos 12 policiais militares são acusados de atuar em conluio com o tráfico de drogas regional, transformando o policiamento em um balcão de negócios ilícitos.
O estopim da investigação foi a denúncia de que agentes recebiam cerca de R$ 6 mil por semana para “fechar os olhos” às atividades criminosas na cidade. Segundo depoimentos colhidos pelo órgão correcional:
- Pagamentos às sextas-feiras: um entregador confessou que levava o dinheiro semanalmente a uma rua sem saída, próxima à Rodovia Raposo Tavares (SP-270).
- Logística do crime: um cabo da PM é apontado como o responsável por buscar os valores utilizando seu veículo particular para evitar o rastreio de viaturas oficiais.
- Perfil dos Investigados: o grupo é composto por uma hierarquia diversificada, incluindo: 02 Sargentos, 07 Cabos e 3 soldados
As acusações vão além do suborno. Os policiais são investigados por roubo de entorpecentes durante abordagens, além da prática de forjar flagrantes contra indivíduos que não colaboravam com o esquema.
Um dos relatos mais graves envolve a segurança de testemunhas. Um homem, que afirma ter sido o “entregador” da propina, relatou ter sofrido duas ameaças de morte proferidas pelos próprios policiais enquanto estava sob custódia, internado no Hospital de Mairinque.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) confirmou a realização de uma operação para o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra os suspeitos.
O processo segue em sigilo administrativo, e os agentes podem responder por crimes militares e civis, além de enfrentar a expulsão da corporação caso as irregularidades sejam comprovadas ao final do inquérito.
Fonte: G1 Sorocaba







