Pesquisa aponta que desde barras “meio amargo” e achocolatados são compostos majoritariamente por açúcar da cana.
Uma análise detalhada conduzida pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP (Cena-USP) acendeu um alerta sobre a real composição dos chocolates consumidos no Brasil. O estudo, publicado na revista Food Chemistry, revela que o açúcar — e não o cacau — é o ingrediente predominante na maioria das barras industrializadas e achocolatados vendidos no país.
O Mito do “Meio Amargo”
A descoberta mais surpreendente refere-se aos chocolates rotulados como “meio amargo”. Segundo a pesquisadora Karina Gonçalves, as versões convencionais das grandes marcas apresentam proporções de cacau e açúcar estatisticamente idênticas às do chocolate ao leite.
- Expectativa: Rótulos sugerem cerca de 40% de cacau.
- Realidade: A entrega real fica em torno de 30%.
Enquanto os chocolates artesanais (bean-to-bar) mantêm o cacau como protagonista, as grandes indústrias utilizam processos de fabricação e adição de leite em pó para diferenciar sabores, mantendo o açúcar como base principal. Nos achocolatados, o cenário é ainda mais crítico: em alguns casos, mais de 90% da fórmula é composta por derivados de cana-de-açúcar.
Ciência e Rastreabilidade
Para chegar a esses dados, os cientistas utilizaram uma técnica de assinatura isotópica. Como o cacau (planta C3) e a cana-de-açúcar (planta C4) possuem ciclos fotossintéticos diferentes, os pesquisadores conseguem calcular com precisão quanto do carbono presente no produto final vem de cada fonte. A técnica permitiu inclusive identificar a origem geográfica do cacau, diferenciando amêndoas da Bahia e da Amazônia.
Mudança na Legislação
Diante do cenário de desinformação ao consumidor, o Senado aprovou, em abril de 2026, uma nova lei que estabelece teores mínimos obrigatórios de cacau:
| Tipo de Chocolate | Mínimo de Sólidos de Cacau |
| Chocolate em Pó | 32% |
| Chocolate Comum | 35% |
| Chocolate ao Leite | 25% |
| Achocolatados | 15% |
Fonte: G1 Piracicaba






