Para o promotor, grupos como PCC e Comando Vermelho buscam lucro e não ideologia; mudança na lei abriria brecha para punições econômicas dos EUA contra empresas idôneas do Brasil
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, uma das principais autoridades no combate ao crime organizado no país, manifestou-se contrariamente à proposta de classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas. Em entrevista ao programa Canal Livre, Gakiya afirmou que a medida não traria vantagens e poderia, inclusive, isolar o Brasil no cenário internacional.
O risco de sanções econômicas – o principal argumento do promotor reside nas consequências geopolíticas. Caso o Brasil oficialize essa classificação, a legislação dos Estados Unidos permitiria que Washington aplicasse sanções econômicas ao país sob a justificativa de “abrigar” grupos terroristas. Gakiya destacou que o Brasil possui cerca de 88 facções catalogadas; sob essa nova ótica, o país passaria a ser, tecnicamente, o território com o maior número de organizações terroristas do mundo.
Diferença entre método e objetivo – Gakiya esclareceu que, embora essas facções pratiquem atos de natureza terrorista devido à sua periculosidade e violência, a motivação é estritamente financeira.
- Fins econômicos: o objetivo central é o lucro através do tráfico de drogas e armas.
- Ausência de ideologia: diferente de grupos como o Hezbollah ou o Estado Islâmico, as facções brasileiras não possuem projetos políticos, religiosos ou ideológicos.
Essa distinção é fundamental para entender a relação comercial entre esses grupos. Segundo o promotor, transações financeiras detectadas entre o PCC e grupos terroristas internacionais não indicam alinhamento de causas, mas sim uma relação pragmática de “prestação de serviços” ou comércio ilegal, onde o interesse reside apenas nas taxas cobradas e no fluxo de mercadorias.
Politização e cooperação internacional – o promotor também lamentou a polarização política que envolve o debate sobre segurança pública e a cooperação com os EUA.
Para ele, os recentes acordos anunciados entre o governo brasileiro e Washington são acréscimos positivos, mas estão longe de ser uma solução definitiva para um país que ainda enfrenta dificuldades estruturais para vencer a batalha interna contra o narcotráfico.
A proposta de equiparação ao terrorismo chegou a constar em projeto de lei, mas foi retirada após resistência técnica de especialistas como Gakiya.
Fonte: Band Jornalísmo







