São verdadeiros sanguessugas do povo trabalhador, pois querem o sacrfício dos mais pobres, porém não querem mudanças no “bolsa empresários” e muito menos na arrecadação compulsório das taxas do Sistema S
À medida que a corrida presidencial de 2026 ganha tração, as cartas das elites econômicas começam a ser postas na mesa. Em uma investida que repete a velha fórmula da austeridade seletiva, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) sinalizou suas “sugestões” aos candidatos ao Planalto. A receita? O de sempre: arrocho no lombo de quem menos tem.
A entidade defende propostas que miram diretamente o coração da rede de proteção social do país. Entre as medidas sugeridas, figuram o reajuste das aposentadorias estritamente pela inflação, o fim da regra de ganho real do salário mínimo (limitando sua correção apenas ao INPC) e, em um ataque ainda mais severo aos vulneráveis, a redução do valor do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que atende idosos de baixa renda e pessoas com deficiência.
Sob a justificativa técnica de “equilíbrio fiscal” e “sustentabilidade das contas públicas”, a CNI propõe desidratar o poder de compra da população que mais depende do Estado.
- Salário Mínimo e Aposentadorias: congelar o ganho real significa condenar o trabalhador e o aposentado à estagnação econômica. Sem o reajuste acima da inflação, a engrenagem do consumo doméstico trava, e a dignidade de quem contribuiu a vida inteira é dilapidada.
- O Ataque ao BPC: reduzir o valor de um benefício assistencial de um salário mínimo para quem vive na linha da pobreza extrema ultrapassa o debate fiscal e entra no campo da crueldade social.
Silêncio ensurdecedor sobre a “Bolsa-Empresário” e o Sistema S
O que mais choca na postura do patronato industrial não é apenas o que eles propõem cortar, mas o que escolhem omitir de forma deliberada. Enquanto exigem sacrifícios hercúleos dos trabalhadores, a CNI e seus pares fecham os olhos para as próprias benesses sustentadas pelo dinheiro público.
Os números da disparidade:
- Renúncias Fiscais: a chamada “Bolsa-Empresário”, que engloba incentivos, isenções e subsídios tributários concedidos ao setor privado, já rompe a barreira dos R$ 500 bilhões anuais. Sobre o fim ou a auditoria rigorosa desses privilégios, a CNI não emite uma única linha.
- Sistema S: bilhões de reais arrecadados de forma compulsória diretamente sobre a folha de pagamento dos trabalhadores continuam a irrigar as estruturas de entidades como a própria CNI, sem que haja qualquer proposta de corte ou redirecionamento desses recursos para o Orçamento Geral da União.
Dois Brasis: o rigor fiscal nos investimentos para os mais pobres e “bolsa empresário” intacta
A retórica da austeridade da CNI desmorona diante da realidade prática. O que se desenha para o debate eleitoral de 2026 é a tentativa de consolidar dois Brasis: um que vive no conforto nababesco das isenções fiscais bilionárias e das verbas corporativas protegidas, e outro que precisa escolher entre comprar remédios ou comida por conta do achatamento do salário mínimo e das pensões.
Cabe agora aos candidatos à Presidência da República decidir se vão se curvar à agenda de transferência de renda às avessas proposta pelo topo da pirâmide ou se enfrentarão o verdadeiro desafio fiscal do país: cortar os privilégios do andar de cima antes de ousar tocar no prato de comida do trabalhador.
Fonte: Folha de S. Paulo







