Nos bastidores de Brasília e nas redações tradicionais de São Paulo, o diagnóstico é explícito: o eventual sucesso de qualquer outro nome da direita fora da família Bolsonaro significaria devolver o clã ao subsolo da política miúda, lugar de onde muitos acreditam que eles nunca deveriam ter saído.
A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República nas eleições deste ano expõe uma fratura silenciosa, mas profunda, no ecossistema da direita brasileira.
Longe dos palanques inflamados e das redes sociais, os principais líderes do Centrão e as vozes mais influentes da imprensa conservadora paulista partilham de um desejo idêntico: a desidratação e o eventual fracasso eleitoral do “filho 01” do ex-presidente.
Para esses setores, o pleito atual não se resume a uma tentativa de derrotar o governo vigente; trata-se de uma oportunidade histórica de repactuação interna da própria direita.
A avaliação de bastidor é pragmática e impiedosa: enquanto a liderança da oposição estiver concentrada sob o sobrenome Bolsonaro, a política nacional continuará refém de uma polarização radicalizada e imprevisível que sufoca a direita moderada.
As cúpulas partidárias que compõem o Centrão nunca digeriram completamente a dinâmica ideológica imposta pelo bolsonarismo. Embora tenham se aliado à gestão anterior por conveniência fisiológica e orçamentária, as lideranças fisiológicas preferem a previsibilidade do poder tradicional.
A imprensa conservadora de SP e a busca pela “direita garfo e faca” – nos editoriais e nas colunas de opinião da imprensa conservadora e liberal paulista, o tom adotado em relação a Flávio Bolsonaro é de ceticismo cirúrgico. Há um esforço coordenado para apontar as fraquezas metodológicas da candidatura, resgatando o histórico das investigações do senador e evidenciando sua falta de capilaridade entre os eleitores independentes de centro.
Para o empresariado e os formadores de opinião de São Paulo, a permanência da família Bolsonaro no topo da oposição é um obstáculo para a maturação e manutenção de um projeto de poder da elite econômica paulista.
Retorno ao “Subsolo” – o que o Centrão e os jornais paulistas desenham nos bastidores é o cenário perfeito para a institucionalização do país: a redução do poder eleitoral dos Bolsonaros, deixando ess dinastia onde nunca deveria ter saido.
Retirar deles o controle da direita significaria, na prática, empurrar os Bolsonaros de volta à esfera da representação corporativista e estridente do baixo clero fluminense. Seria o fim da era dos mitos e o retorno definitivo ao subsolo da política miúda, o reduto de nicho de onde o grupo emergiu e de onde, na visão desse establishment, jamais deveria ter saído.
Fontes; Estadão







