Encerramento de atividades no setor privado formal encolhe postos de trabalho com carteira assinada e força trabalhadores a buscarem alternativa na informalidade.
O cenário econômico na Argentina registra um descompasso crescente no mercado de trabalho. Diante do fechamento consecutivo de empresas do setor privado sufocadas pela recessão, queda no consumo e aumento do custo operacional, o país observa um encolhimento nas vagas de emprego formal e uma disparada na informalidade.
Para milhares de argentinos, a perda do emprego formal significou a transição imediata para o trabalho autônomo precário, o comércio de rua e os serviços sem registro em carteira. A deterioração do tecido empresarial afeta desde pequenas e médias empresas (PMEs), historicamente responsáveis pela maior parte da empregabilidade do país, até grandes operações que reestruturam suas atividades para cortar despesas.
A perda da formalidade traz consigo desdobramentos diretos na qualidade de vida e na proteção social da população:
- Perda de benefícios: trabalhadores informais deixam de ter acesso a plano de saúde (as chamadas obras sociales), aposentadoria e seguro-desemprego.
- Instabilidade de renda: a volatilidade dos ganhos diários dificulta o planejamento financeiro básico de famílias afetadas pela inflação.
- Presão sobre o consumo: com salários médios e rendimentos informais corroídos, o consumo das famílias despenca, alimentando um ciclo em que os próprios negócios locais perdem clientes e fecham as portas.
Especialistas e analistas do setor produtivo apontam que a recuperação do emprego com carteira assinada dependerá não apenas da estabilização macroeconômica, mas da criação de condições sustentáveis para que o setor privado volte a investir e a gerar postos de trabalho de qualidade. Enquanto isso, a informalidade segue como a principal — e por vezes única — rede de segurança para a população economicamente ativa.
Fonte; Estadão







