Estudo aponta que recursos parlamentares priorizaram itens de escritório e veículos, enquanto investimentos na infraestrutura do SUS perderam espaço nos últimos anos.
Levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) revela que emendas parlamentares destinadas à saúde financiaram mais itens de escritório do que equipamentos básicos para atendimento na Atenção Primária à Saúde (APS).
Em 2025, 65,7% dos equipamentos adquiridos com emendas individuais foram classificados como infraestrutura e material de escritório. Dos 95,5 mil itens financiados, mais de 62 mil pertenciam a essa categoria, incluindo computadores, cadeiras e aparelhos de ar-condicionado.
Dos R$ 491 milhões destinados à atenção primária, R$ 113,9 milhões foram aplicados em infraestrutura e material de escritório, enquanto R$ 58,8 milhões foram destinados a equipamentos de saúde de baixo custo. A categoria de veículos concentrou a maior fatia dos recursos, com R$ 263,5 milhões, equivalente a 54% do total investido.
Entre os itens com maior volume de recursos estão veículos de passeio, computadores e cadeiras odontológicas.
O estudo também mostra uma mudança no perfil dos gastos ao longo da última década. Em 2016, R$ 64 de cada R$ 100 destinados à saúde eram investidos em obras, máquinas e equipamentos. Em 2024, esse valor caiu para apenas R$ 10 a cada R$ 100 aplicados na expansão da infraestrutura do SUS.
As emendas parlamentares seguem tendo peso importante no setor. Em 2024, elas representaram 22% dos R$ 10,3 bilhões investidos no Sistema Único de Saúde.
O levantamento ainda aponta desigualdade na distribuição dos recursos. Enquanto Praia Norte (TO) recebeu R$ 1.577 por habitante, municípios como Paulista (PE) e Maracanaú (CE) receberam apenas R$ 0,40 por morador.
Fonte: cnnbrasil.com







