Produto saiu de Salinas, tradicional polo mineiro, com destino a Porto Ferreira e acabou retido na BR-381 por representar alto risco à saúde pública.
A Polícia Rodoviária Federal interceptou uma carga de mais de 4 mil litros de cachaça armazenada em recipientes que haviam sido utilizados para agrotóxicos. A fiscalização ocorreu na semana passada, no quilômetro 609 da BR-381, em trecho que passa pelo município mineiro de Oliveira (MG).
O veículo fiscalizado, um caminhão do modelo VW 24.250, foi interceptado a partir de um monitoramento prévio efetuado pela Central de Comando e Controle da instituição. Na verificação do compartimento de carga, as equipes localizaram 208 recipientes plásticos, com 20 litros cada, somando aproximadamente 4.160 litros da bebida alcoólica.
A ocorrência ganha destaque pelas localidades envolvidas no trajeto: o carregamento foi produzido em Salinas, no Norte de Minas Gerais, município amplamente reconhecido nacionalmente pela sua expressiva e tradicional produção de cachaça, e tinha como destino final a cidade de Porto Ferreira (SP), localizada no interior paulista.
Durante o procedimento de checagem, o condutor do veículo afirmou que o líquido se tratava de cachaça voltada para o consumo humano. No entanto, ao examinarem a estrutura dos galões, as autoridades constataram advertências gravadas no próprio plástico, com alertas explícitos de proibição para reutilização e orientações de tríplice lavagem, evidenciando o uso prévio das embalagens no armazenamento de defensivos agrícolas.
Diante do cenário irregular, o Instituto Mineiro de Agropecuária lavrou um auto de infração fundamentado no reaproveitamento indevido de galões de agrotóxico para acondicionar produtos alimentícios. Paralelamente, a Vigilância Sanitária de Oliveira efetuou o recolhimento formal dos galões e de todo o volume da bebida, mantendo o material sob sua guarda em razão dos riscos imediatos que a contaminação pode trazer à saúde.
De acordo com o órgão policial, a conduta constatada pode configurar enquadramento em crimes como adulteração de alimento destinado ao consumo e transporte irregular de resíduos perigosos sem a observância das regras ambientais.
Finalizados os trâmites administrativos no local, o veículo foi entregue à representação jurídica da empresa proprietária, enquanto os envolvidos e a documentação técnica foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Oliveira para prosseguimento das apurações.
Fonte: G1 MG Centro-Oeste







