Número representa cerca de 6% do total de empresas e expõe os contrastes entre a melhora dos indicadores macroeconômicos e as dificuldades enfrentadas por trabalhadores e pequenos negócios
Mais de 31 mil empresas encerraram as atividades na Argentina desde que Javier Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023. Segundo levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa), foram 31.342 fechamentos até junho deste ano, o equivalente a aproximadamente 6% do total de empresas do país.
A estimativa é baseada em informações da Superintendência de Riscos Ocupacionais (SRT), a partir de dados do sistema previdenciário. Como não há uma estatística oficial específica sobre abertura e fechamento de empresas, o levantamento do Cepa é utilizado para acompanhar a evolução do setor empresarial.
O cenário ocorre em meio a uma recuperação dos principais indicadores econômicos. No primeiro semestre, o Produto Interno Bruto (PIB) argentino cresceu 2,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A inflação também caiu de níveis superiores a 211% no início do governo Milei para 33,5%.
Apesar desses resultados, os efeitos da recuperação não são percebidos de maneira uniforme pela população. A pobreza ainda atinge cerca de um terço dos argentinos, enquanto o desemprego permanece próximo de 8%. A renda e o poder de compra também enfrentam dificuldades diante do aumento do custo de vida.
A situação do mercado de trabalho é outro ponto de preocupação. O avanço da informalidade levou parte da população a trabalhar sem contratos formais e proteção social. Ao mesmo tempo, o aumento do endividamento fez crescer a inadimplência entre pessoas que recorreram ao crédito.
No setor empresarial, os efeitos também são diferentes conforme a atividade. Mineração, energia, agricultura e serviços financeiros apresentaram expansão, enquanto comércio e indústria enfrentaram maiores dificuldades. A abertura das importações também aumentou a concorrência para empresas que atuam no mercado interno.
As pequenas e médias empresas estão entre as mais atingidas pelo cenário. O contraste entre setores em crescimento e segmentos que enfrentam retração levou analistas a descrever a situação como uma economia de duas velocidades.
Durante uma visita a Nova York, Milei afirmou não identificar problemas no crescimento econômico argentino e rejeitou a possibilidade de uma recessão técnica. O presidente também defendeu que o aumento da inadimplência é uma consequência da expansão do crédito privado depois de um período em que o acesso aos empréstimos era bastante limitado.
O cenário argentino, portanto, reúne avanços importantes nos indicadores macroeconômicos, como a redução da inflação e a retomada do PIB, ao mesmo tempo em que parte das empresas e da população ainda enfrenta dificuldades para acompanhar essa recuperação.
Fonte: bbc.com







