Operação autorizada pelo STF investiga o domínio ilegal da internet em comunidades do Rio e determina bloqueio de até R$ 558 milhões.
A Polícia Federal realizou, nesta segunda-feira (19), uma operação contra um esquema atribuído ao Comando Vermelho (CV), suspeito de impor serviços de internet em comunidades do Rio de Janeiro por meio de intimidação e violência. Entre os alvos presos estão Márcia Gama e Lucas Santos Nepomuceno, esposa e filho de Marcinho VP, além do próprio traficante, que já cumpre pena em presídio federal.
Batizada de Operação Backbone, a ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, 19 pessoas haviam sido presas até a última atualização, em uma investigação que apura o controle ilegal de serviços de telecomunicações e a movimentação de recursos financeiros do grupo criminoso.
Segundo a PF, integrantes da facção destruíam cabos e equipamentos de empresas concorrentes, impediam consertos e pressionavam moradores e comerciantes a contratar provedores ligados ao esquema. As investigações também apontam a cobrança de valores de empresas autorizadas a atuar nas áreas dominadas pelo grupo.
Os investigadores suspeitam que os lucros eram movimentados por meio de empresas e intermediários financeiros, com possível ocultação em negócios de publicidade, produção de eventos, imóveis e criptoativos. Marcinho VP, preso desde 1996, é apontado pela investigação como alguém que continuaria exercendo influência sobre atividades econômicas da organização, mesmo encarcerado.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores vinculados a 40 pessoas físicas e 42 empresas. A medida inclui ainda a suspensão das atividades de empresas investigadas, entre elas provedores de internet e negócios suspeitos de auxiliar na movimentação de dinheiro ilícito.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deverá ser comunicada para avaliar medidas contra os serviços irregulares, com o objetivo de evitar que a população das áreas afetadas fique sem acesso à internet.
Os investigados poderão responder por crimes como domínio social estruturado, extorsão, lavagem de dinheiro e interrupção de serviços de telecomunicações. As apurações seguem em andamento.
Fonte: metropoles.com







