Equipe médica do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto prevê próxima cirurgia para fevereiro de 2026, após sucesso em procedimento de 10 horas realizado no último sábado
As gêmeas Heloísa e Helena, nascidas em São José dos Campos (SP) e unidas pela cabeça, demonstram boa recuperação após passarem pela segunda etapa da cirurgia de separação no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). A operação, realizada no sábado (8), teve duração de 10 horas e foi considerada bem-sucedida pela equipe médica. Segundo o professor e cirurgião Jayme Farina Junior, responsável pelo procedimento, as meninas devem receber alta e permanecer no quarto a partir de quarta-feira (12).
O processo de separação das siamesas é complexo e foi planejado ao longo de um ano, com o apoio de modelos tridimensionais e ferramentas de realidade aumentada. De acordo com Farina Junior, a próxima intervenção está prevista para o final de fevereiro de 2026. “Felizmente correu tudo bem. Foi feita mais uma etapa de separação dos cérebros e conseguimos completar as incisões cutâneas, conectando com os cortes iniciais realizados em agosto”, explicou o médico.
As gêmeas, que têm 1 ano e dez meses, passaram pela primeira cirurgia em 23 de agosto de 2024, em um procedimento que durou cerca de oito horas. No total, o tratamento será dividido em cinco etapas, realizadas em intervalos de alguns meses. Nas quatro primeiras fases, a equipe médica concentra-se na separação dos tecidos, vasos sanguíneos e estruturas que unem os crânios e os cérebros das crianças.
Farina Junior destacou que o processo precisa ocorrer de forma gradual para evitar complicações. “É uma separação muito delicada, que não pode ser acelerada, pois o risco de sangramento é alto e o cérebro necessita de tempo para se adaptar”, explicou.
Nas próximas etapas, previstas para fevereiro e março, os especialistas devem realizar a inserção de enxertos ósseos e expansores de pele, preparando o terreno para a cirurgia plástica final, quando ocorrerá o fechamento completo dos tecidos. A separação total está programada para meados de 2026.
O médico Marcelo Volpon, integrante da equipe, afirmou que o formato mais estreito dos crânios das meninas tem favorecido o mapeamento cirúrgico. “Essa característica permitiu uma navegação mais precisa e um melhor contorno das áreas de junção cerebral e vascular”, observou.
O caso de Heloísa e Helena é o terceiro conduzido pela equipe do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, referência nacional em separações de gêmeos siameses. Em 2018, o hospital realizou com sucesso o primeiro procedimento, envolvendo as irmãs cearenses Maria Ysabelle e Maria Ysadora. Em 2023, as gêmeas Alana e Mariah, de Ribeirão Preto, também passaram pela separação definitiva após 25 horas de cirurgia.
O trabalho da equipe reforça o papel do hospital como centro de excelência em cirurgias de alta complexidade e mantém a esperança das famílias que enfrentam desafios semelhantes em todo o país.
Fonte: g1.globo.com







