Investigação do MP aponta pagamento de propina, lavagem de dinheiro e interferência em investigações dentro de delegacias especializadas
Uma operação do Ministério Público de São Paulo, com apoio da Polícia Federal e da Corregedoria da Polícia Civil, prendeu nesta quinta-feira (5) nove pessoas suspeitas de integrar um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que atuaria dentro da Polícia Civil paulista.
Entre os presos estão três policiais civis, incluindo um delegado, além de uma doleira apontada como operadora financeira do grupo. A Justiça decretou 11 prisões preventivas e autorizou 23 mandados de busca e apreensão em residências, escritórios de advocacia e delegacias onde os investigados atuavam.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), policiais solicitavam relatórios de inteligência financeira para identificar possíveis alvos de cobrança de propina. Após a abertura de investigações, valores eram exigidos para que os casos não tivessem andamento.
As apurações também indicam que doleiros ofereciam dinheiro para interromper investigações e que houve destruição de provas, incluindo a troca de discos rígidos apreendidos por dispositivos vazios.
O esquema utilizaria empresas de fachada e operações comerciais simuladas para lavar dinheiro. Parte dos recursos também seria convertida em créditos de vales-refeição por meio de estabelecimentos fictícios.
Entre os investigados estão os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, já citados em apurações anteriores. Meire foi presa durante a operação, enquanto Meirelles segue foragido.
A investigação é um desdobramento de uma operação iniciada em 2023 que revelou movimentações de cerca de R$ 4 bilhões em dois anos por meio de empresas de fachada. De acordo com o Ministério Público, mensagens encontradas em celulares apreendidos indicam a participação de policiais no recebimento de propina para barrar ou manipular investigações.
Fonte: g1.globo.com







