O mais recente capítulo dessa crise veio a público nesta segunda-feira (20/04), com o anúncio da multinacional norte-americana Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp, de que encerrou as atividades em sua fábrica na Argentina, transferindo a produção para o Brasil
A Argentina assistiu, nos primeiros meses do governo de Javier Milei, a um acelerado processo de fechamento de plantas industriais que há décadas sustentavam empregos e dinamizavam a economia doméstica.
O mais recente capítulo dessa crise veio a público nesta segunda-feira (20/04), com o anúncio da multinacional norte-americana Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp, de que encerrou as atividades em sua fábrica de Pilar, na província de Buenos Aires, transferindo a produção para Rio Claro, no interior de São Paulo.
Segundo comunicado da Whirlpool, a empresa pagou US$ 36,7 milhões pela aquisição de ativos industriais da fábrica de Pilar para adaptar suas operações no Brasil. A companhia garantiu que o abastecimento ao mercado argentino continuará sendo feito por produtos fabricados em outras unidades do grupo — ou seja, importados. Para críticos da política econômica do governo Milei, trata-se de um sintoma claro do novo modelo: desmontar a capacidade produtiva interna e transformar o país em plataforma de consumo de bens produzidos no exterior.
Dados recentes do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) mostram a classe média tradicional, assalariados formais, pequenos comerciantes e profissionais liberais tiveram uma grande erosão do poder de compra. O salário médio real, corrigido pela inflação, acumula perda superior a 35% desde a posse de Milei, em dezembro passado.
A estratégia do ministro da Economia, Luis Caputo, tem sido a de reduzir drasticamente as alíquotas de importação, sob o argumento de que a concorrência externa forçará a baixa dos preços internos. Na prática, o que se viu foi o fechamento de plantas inteiras nos setores têxtil, eletroeletrônico, autopeças e metalmecânico.
Levantamento da União Industrial Argentina (UIA) aponta que, entre janeiro e abril de 2026, 37 fábricas de médio e grande porte encerraram atividades, com a demissão de mais de 12 mil trabalhadores diretos. Na indústria eletroeletrônica, a queda na produção ultrapassou 40% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Fonte: Valor Econômico – Texto e imagem produzidos com auxílio de IA







