Crescimento das apostas em Bets afeta comportamento financeiro, reduz poder de compra e de diminui a caácidade de poupança da população mais pobre e de parte da classe média
O avanço das apostas online no Brasil já começa a impactar diretamente o comportamento do investidor. De acordo com o levantamento Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Anbima em parceria com o Datafolha e divulgado na última quinta-feira (23), 20% dos entrevistados afirmam enxergar as chamadas “bets” como uma forma de investimento.
O perfil desse público é predominantemente masculino (66%) e mais jovem, com média de 35 anos. A motivação principal segue ligada ao ganho financeiro: 39% dizem apostar para obter dinheiro rápido em momentos de necessidade, enquanto 37% buscam grandes quantias.
Para a educadora financeira e assessora de investimentos Paula Pellegrini, o fenômeno revela uma compreensão distorcida sobre risco. Segundo ela, o comportamento combina desconhecimento financeiro com estímulos emocionais. “A aposta ativa mecanismos de recompensa imediata no cérebro, levando a uma confusão entre sorte e estratégia”, afirma.
Essa percepção equivocada também se reflete no volume de dinheiro destinado às apostas. Quem considera a prática como investimento gasta, em média, R$ 284,81 por mês — valor superior aos R$ 178,47 desembolsados por aqueles que encaram as apostas apenas como entretenimento.
Na prática, especialistas alertam que as apostas tendem a estimular decisões impulsivas e substituem o planejamento financeiro de longo prazo por escolhas mais arriscadas e imprevisíveis. A confusão entre aposta e investimento, segundo analistas, compromete a lógica de acumulação de riqueza.
Para Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro, a distinção entre os dois conceitos é essencial. “A bet não acumula patrimônio, ela consome. Investir é abrir mão de consumo hoje em troca de retorno provável no futuro via juros, lucros ou aluguéis. Apostar é o oposto, pois, na média, o apostador perde”, explica.
Ela destaca ainda o impacto direto dessa prática na saúde financeira. “Quem direciona cerca de R$ 284 por mês para bets sem reserva de emergência compromete não só a segurança financeira, mas também a capacidade de aproveitar o efeito dos juros no longo prazo”, afirma.
Os dados da Anbima indicam ainda que o crescimento das apostas vem acompanhado de deterioração em indicadores financeiros. Entre os apostadores, apenas 23% conseguiram economizar em 2025, enquanto 25% não possuem qualquer reserva financeira.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que apostas não devem fazer parte da estratégia de investimentos. A recomendação é priorizar a construção de uma base sólida, com reserva de emergência, definição de objetivos e diversificação do capital entre liquidez, crescimento e proteção.
“Aposta não pode ocupar o espaço da construção patrimonial. É fundamental estruturar as finanças antes de qualquer decisão de risco”, conclui Paula Pellegrini.
Fonte: CNN Brasil







