Doença rara registrada principalmente em áreas rurais mata quase metade dos infectados e não tem relação direta com surto em navio de cruzeiro
O surto de hantavírus em um navio de cruzeiro que saiu da Argentina rumo à África reacendeu o alerta sobre a doença, considerada rara, mas extremamente grave. Apesar da repercussão internacional, especialistas afirmam que o caso não tem relação com o cenário brasileiro.
No Brasil, a hantavirose circula há mais de 30 anos e é considerada endêmica pelo Ministério da Saúde, principalmente em áreas rurais. A variante identificada no navio, chamada vírus Andes, não possui circulação registrada no país.
Entre 1993 e 2025, o Brasil confirmou 2.429 casos e 997 mortes pela doença, com taxa média de letalidade de 46,5%. Em 2026, foram registrados sete casos e uma morte até abril.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com partículas contaminadas por urina, saliva e fezes de roedores silvestres encontrados em plantações, galpões e áreas de mata. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso concentram mais registros.
Os sintomas iniciais incluem febre, dores no corpo e mal-estar, mas a doença pode evoluir rapidamente para um quadro respiratório grave, exigindo internação em UTI.
O infectologista Rodrigo de Carvalho Santana destaca que a maioria dos hantavírus não é transmitida entre pessoas. A exceção é o vírus Andes, identificado na Argentina e no Chile, cuja transmissão interpessoal é rara e ocorre apenas em situações muito específicas.
Pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal do Rio de Janeiro desenvolveram um teste rápido capaz de detectar a doença em até 20 minutos, o que pode ajudar no diagnóstico precoce e reduzir a subnotificação.
Fonte: bbc.com







