Cortes atingem unidades em meio à alta de síndromes respiratórias e coronárias; sindicato e médicos alertam para sobrecarga e risco à vida dos pacientes
O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), determinou uma nova redução no número de médicos plantonistas nas Unidades de Pronto Atendimento (PA) da cidade.
A medida ocorre em um momento crítico, marcado pelo aumento nos casos de síndromes respiratórias e coronárias agudas. Desta vez, as unidades afetadas pelos cortes são nos Prontos Atendimentos (PAs): São Guilherme, Aparecidinha e Carandá.
O cenário de tesouradas na saúde municipal não é inédito: há menos de um ano, a mesma medida foi aplicada nos PAs Laranjeiras, São Bento, Brigadeiro Tobias e Habiteto. As denúncias foram feitas por médicos da própria rede municipal e confirmadas pelo Sindicato dos Médicos de Sorocaba e Região.
Os relatos de profissionais que atuam na linha de frente revelam um cenário alarmante de precarização. Um médico concursado da rede municipal explicou o impacto direto dos cortes no cotidiano do atendimento:
“Em um bairro com mais de 60 mil pessoas, ficam apenas dois médicos das 19h às 7h e um das 19h à 1h”, desabafou o profissional, referindo-se ao PA São Bento, localizado em uma das regiões mais populosas de Sorocaba.
Segundo o médico, a exaustão já compromete a segurança dos plantões. “Em alguns PAs, temos colegas atendendo mais de 80 pacientes em um plantão de 12 horas. Isso sobrecarrega a saúde física e mental dos profissionais, aumenta a chance de erro e coloca em risco a vida dos pacientes“, alertou.
Informações de bastidores indicam que a proposta inicial da Secretaria de Saúde previa cortes ainda mais severos nas três unidades. Após rodadas de negociação, que envolveram a apresentação de dados de atendimento e projeções de economia financeira, os impactos foram parcialmente atenuados em alguns pontos:
- PA Aparecidinha: a prefeitura pretendia retirar um plantonista do turno das 19h às 7h nos dias de semana. Após as tratativas, a escala foi mantida com 2 médicos das 19h às 7h e 1 das 19h à 1h.
- PA São Guilherme: a proposta original era retirar um plantonista nos dias de semana e zerar completamente a cobertura de 24 horas nos finais de semana. Conseguiu-se manter 2 médicos das 19h às 7h e 1 das 19h à 1h nos dias de semana. Contudo, nos finais de semana, não houve negociação e os cortes prosseguiram.
- PA Brigadeiro Tobias: o governo pretendia extinguir o turno intermediário (conhecido como “Cinderela”). A escala acabou mantida após a comprovação de que o volume de atendimentos da unidade equivale ao do PA Aparecidinha.
O enxugamento da máquina pública na saúde de Sorocaba tem sido gradual e constante. Em cortes anteriores, o PA Laranjeiras já havia perdido um profissional, caindo de seis para cinco plantonistas nos finais de semana. Nos PAs São Guilherme e Aparecidinha, a escala — que antes contava com três plantonistas tanto nos dias de semana quanto nos finais de semana — foi fixada em apenas dois médicos por plantão.
Em nota oficial, o Sindicato dos Médicos de Sorocaba e Região criticou duramente a postura da administração municipal e alertou para as consequências diretas que a população irá enfrentar na ponta do sistema:
” A redução do número de médicos nas unidades de pronto atendimento afeta o funcionamento das unidades de saúde por conta da sobrecarga de atendimentos e irá com certeza aumentar o tempo de espera para os pacientes, prejudicando a população “
A entidade de classe informou que monitora de perto a situação e tomará todas as medidas cabíveis caso a redução das equipes se concretize em definitivo.
Fonte: G1 Sorocaba







