A autofagia consentida do PSD desmoraliza o sistema partidário e transforma a legenda em uma confederação de interesses isolados, onde a palavra empenhada vale menos que o vento.
No papel, o Partido Social Democrático (PSD) tem um candidato à Presidência da República: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Na prática, a sigla opera sob a lógica de um balcão de negócios de ocasião, onde a fidelidade partidária não passa de um detalhe incômodo, solenemente ignorado em nome do pragmatismo mais rasteiro.
A recente decisão da cúpula da legenda de dar “liberdade total” para que seus candidatos nos estados ignorem a própria liderança presidencial expõe uma realidade nua e crua: no PSD, o compromisso programático não existe nem aqui, nem na China. O que impera é o “cada um por si e dane-se o resto”.
O presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, fantasiou a autofagia partidária com o manto da “autonomia”. Segundo o dirigente, os candidatos aos governos estaduais têm carta branca para definirem o que acharem “mais apropriado”.
Traduzindo o pragmatismo político para o português claro: Caiado que caminhe sozinho, pois o partido está mais preocupado em garantir nacos de poder regional do que em sustentar uma espinha dorsal ideológica.
O cenário nacional desenha um mapa de infidelidade institucionalizada que beira o deboche:
- Pernambuco: a governadora Raquel Lyra, de olho na reeleição contra o forte bloco de João Campos (PSB), correu para os braços do presidente Lula (PT). Kassab endossou o movimento, alegando que ela precisa de “todos os instrumentos necessários”. A coerência nacional que se exploda.
- Rio de Janeiro: o prefeito Eduardo Paes também já fechou fileiras com o petismo, deixando o candidato do próprio partido sem palanque no segundo maior colégio eleitoral do país.
- Minas Gerais: o vice-governador Mateus Simões caminha de mãos dadas com Romeu Zema (Novo), orbitando em outra galáxia política.
- São Paulo: no maior estado do país, o PSD compõe a base de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que por sua vez empurra a engrenagem em favor de Flávio Bolsonaro (PL).
A autofagia consentida do PSD desmoraliza o sistema partidário e transforma a legenda em uma confederação de interesses isolados, onde a palavra empenhada vale menos que o vento. A fidelidade partidária vira um prostíbulo de 5ª categoria em uma zona de meretrício explícita
Ao lavar as mãos e permitir que seus caciques locais sabotem abertamente a candidatura de Ronaldo Caiado, o PSD mostra que não é um partido de fato, mas sim um condomínio de conveniências. Uma legenda que se vende ao melhor lance de momento, onde a lealdade é uma mercadoria escassa e o oportunismo é a única doutrina real.
Fonte: Folha de S. Paulo – texto produzido por IA por Marco Antônio Mourão







