A manobra do maior cacique do Centrão visa usar a candidatura ao Planalto como moeda de troca. É a personificação do “toma lá dá cá” institucionalizado e da máxima de criar dificuldades para vender facilidades.
No cenário político brasileiro, poucas figuras personificam tão bem a engrenagem do pragmatismo fisiológico quanto Gilberto Kassab.
Presidente nacional do PSD e hábil operador dos bastidores, Kassab deu mais um passo cirúrgico em seu tabuleiro de xadrez: oficializou-se como pré-candidato a vice-presidente na chapa pura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Por trás do discurso oficial de apresentar uma “alternativa à polarização”, a movimentação expõe a essência da política pragmática que domina o país há três décadas. Com Caiado estagnado nas pesquisas, a verdadeira meta da chapa não é necessariamente o Palácio do Planalto, mas sim a maximização do peso político do PSD para o momento em que o jogo realmente se decide: o segundo turno.
Na tradicional cartilha da velha política, o lançamento de uma candidatura própria serve como escudo e lança. Cria-se o fato político para, mais tarde, vender o apoio pelo maior preço possível em cargos, emendas e influência.
Ao longo dos últimos 20 anos, Gilberto Kassab especializou-se em se manter orbitando o poder, independentemente de quem o ocupe. Seja à esquerda ou à direita.
“….É a personificação do “toma lá dá cá” institucionalizado e da máxima de criar dificuldades para vender facilidades...”
Ao se colocar diretamente na chapa como vice, Kassab tira o figurino de mero articulador de bastidores e assume o papel de fiador público de uma estratégia que visa o pragmatismo puro, é o passaporte para garantir que, não importa quem vença a disputa presidencial, o PSD continuará operando o coração do poder em Brasília, “criando dificuldades e vendendo facilidades”
Fonte primária: Folha de S. Paulo







