Ex-deputado, agora no Republicanos (partido ligado à Igreja Universal do bispo Edir Macedo), quer voltar ao Congresso após cassação, com apoio do clã do Cleitinho e do eleitorado evangélico mineiro
Quem pensou que a cassação histórica em 2016 e os anos de reclusão e processos por corrupção passiva e lavagem de dinheiro teriam aposentado Eduardo Cunha subestimou a resiliência das raposas políticas brasileiras.
Operando nos bastidores com a frieza técnica que o tornou um dos homens mais poderosos do país na década passada, o ex-presidente da Câmara dos Deputados agora volta seus olhos para Minas Gerais. O plano? Usar a popularidade alheia como trampolim para reconquistar uma cadeira na Câmara Federal pelo partido Republicanos.
O alvo principal da engenharia de Cunha atende pelo nome de Cleitinho. Fenômeno de votos e dono de uma comunicação direta com o eleitorado conservador, o parlamentar mineiro virou a peça-chave no tabuleiro de sobrevivência do ex-deputado fluminense.
A estratégia é puramente matemática e profundamente oportunista: ao empurrar e encorajar Cleitinho a aceitar a disputa ao cargo de governador de Minas Gerais, Cunha busca vitaminar a chapa do Republicanos no estado.
Com o quociente eleitoral inflacionado pela votação massiva que o clã de Cleitinho costuma arrastar, a legenda garante mais vagas no parlamento. Na prática, Cunha quer ser o beneficiado direto desse “efeito puxador de votos”, pavimentando seu retorno a Brasília sem precisar, necessariamente, do voto de opinião que seu histórico de escândalos lhe nega.
Para viabilizar esse plano, Cunha não economizou no uso de suas tradicionais artimanhas de bastidores. Interlocutores apontam que a movimentação para convencer Cleitinho a dar o salto rumo à disputa pelo Palácio Tiradentes envolveu pressões psicológicas, promessas de estruturas partidárias nababescas e o pragmatismo agressivo que sempre foi a marca registrada do ex-deputado.
No entanto, o pragmatismo cruzou a linha da legalidade sob o manto das suspeitas. Nos bastidores da política mineira, circulam denúncias e fortes indícios do uso de recursos de origem ilícita para “financiar” o convencimento e dar a musculatura financeira necessária para que o grupo de Cleitinho aceitasse o desafio.
A suspeita é de que o velho modus operandi que outrora abastecia as contas secretas na Suíça com dinheiro público desviado tenha sido reativado para lubrificar as engrenagens dessa nova aliança.
A manobra escancara o lado mais perverso do sistema proporcional brasileiro, onde o voto dado a um candidato de perfil popular pode, no fim das contas, ressuscitar politicamente uma figura carimbada dos arquivos da Operação Lava Jato. Para Eduardo Cunha, a ética nunca foi um impeditivo, mas um detalhe contornável.
O oportunismo da raposa política não busca a renovação ou o debate de propostas para os mineiros; busca a blindagem que o foro privilegiado em Brasília oferece e a validação das urnas para quem foi expelido da vida pública pela porta dos fundos. Resta saber se o eleitorado de Minas Gerais aceitará passivamente carregar em suas costas o peso de um dos símbolos mais notórios da velha política nacional.
Fonte: Gazetra do Povo – Texto e imagem produzidos com auxílio de IA







