A apuração expõe como a instituição teria operacionalizado um sofisticado estratagema para ocultar sua real e deteriorada situação econômico-financeira perante o mercado e os órgãos de fiscalização.
Uma maquiagem contábil bilionária, relatórios regulatórios adulterados e a criação de uma ilusão de solvência para ludibriar o Banco Central. Este é o enredo no centro da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um suposto esquema sistemático de fraudes financeiras na gestão do Banco Digimais, instituição sob o controle direto do bispo Edir Macedo, líder e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).
A ofensiva policial, impulsionada por auditorias minuciosas do Banco Central do Brasil, resultou no bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e ativos e na execução de mandados de busca e apreensão. A apuração expõe como a instituição teria operacionalizado um sofisticado estratagema para ocultar sua real e deteriorada situação econômico-financeira perante o mercado e os órgãos de fiscalização.
De acordo com as apurações da PF e do Banco Central, o Digimais é suspeito de utilizar fundos de investimentos e operações financeiras artificiais com o objetivo primário de maquiar seus demonstrativos financeiros.
“A instituição teria manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira, aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares.” — Relatório da Investigação da Polícia Federal
Os investigadores apontam que as adulterações permitiram a supervalorização de ativos da instituição e a simulação de balanços positivos, beneficiando inclusive a holding controladora ligada ao império empresarial do religioso.
Os mandados de busca e apreensão miraram a alta cúpula executiva encarregada da gestão direta da instituição. Entre os alvos centrais da Polícia Federal estão dirigentes estratégicos do banco, como o bispo João Urbaneja, considerado um dos homens de maior confiança de Edir Macedo, além de seu filho, Thiago Urbaneja.
De Banco Renner a Império Digital de Macedo – a trajetória do Digimais reflete uma profunda transformação corporativa ao longo das últimas décadas:
- 1981: Fundação original no Rio Grande do Sul sob a denominação de Banco Renner.
- 2020: Passou por uma reestruturação profunda para atuar no mercado de tecnologia e crédito como banco digital, adotando o nome comercial Digimais ao ser assumido integralmente por Edir Macedo e seu grupo empresarial.
Sob a gestão do grupo de Macedo, a instituição expandiu operações no crédito consignado e financiamento automotivo, mas acabou entrando no radar do Banco Central após inconsistências operacionais e contábeis graves levantarem alertas de risco ao Sistema Financeiro Nacional.
Os envolvidos na gestão do banco podem responder por crimes como gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em sistemas regulatórios e realização de operações de crédito proibidas, com penas que podem resultar em reclusão e pesadas sanções administrativas.
A defesa do Banco Digimais declarou que a instituição colabora com as investigações da Justiça e mantém o compromisso com a conformidade legal. A assessoria da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) argumenta que o bispo Edir Macedo não integra a administração executiva nem participa da gestão diária, operacional ou contábil do banco.
Fonte: BBC Brasil







